Nova espécie de tardígrado de 16 milhões de anos encontrada em âmbar

Mateus Marchetto
Imagem: Flickr

Os tardígrados, também conhecidos como ursos d’água, são de longe os animais mais resistentes do planeta. Um tardígrado pode sobreviver em temperaturas muito altas ou muito baixas, em ambientes radioativos e até mesmo no espaço. Nesse sentido, pesquisadores acabam de descobrir uma nova espécie destes animais, de 16 milhões de anos atrás.

Apesar do tardígrado ser um filo muito antigo de animais, datando da Explosão do Cambriano, pesquisadores sabem muito pouco sobre a história evolutiva destes bichos super-resistentes. Isso porque, fora o novo fóssil que trataremos aqui, apenas outros dois ursos d’água foram encontrados fossilizados até hoje.

O novo tardígrado, portanto, recebeu o nome de Paradoryphoribius chronocaribbeus, descrevendo um novo gênero e uma nova espécie destes animais. De acordo com a pesquisa, publicada no Proceedings of the Royal Society B, o animal fossilizado faz parte da super-família Isohypsibioidea.

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Imagem: Marc A. Mapalo et al / Proceedings of the Royal Society B 2021

Este último grupo ainda existe hoje e os seus integrantes modernos habitam tanto ambientes aquáticos quanto terrestres. Nesse sentido também, os pesquisadores identificaram a nova espécie a partir de suas garras microscópicas de tamanhos variáveis e seu trato digestório superior.

Para se dimensionar, essa espécie tem pouco mais de meio milímetro de comprimento e cada uma de suas garras é até oito vezes mais fina que um cabelo humano.

Os pesquisadores relatam também que descobriram o tardígrado por acaso, enquanto estudavam espécimes de formigas presas no âmbar fossilizado, encontrado na República Dominicana. Para identificar o bicho, contudo, a equipe precisou utilizar um microscópio confocal, que permitiu a observação com mais detalhes.

Por que o tardígrado é tão ausente nos fósseis?

Atualmente, existem aproximadamente 11 mil espécies conhecidas de tardígrado, e possivelmente há muitos outros milhares por aí. Isso mesmo, 11 mil. E ainda assim, ao longo de quase 500 milhões de anos de evolução, pesquisadores encontraram apenas três fósseis destes animais.

Acontece que, devido ao seu tamanho e estruturas corporais, a conservação dos tardígrados é extremamente rara. Estes animais não possuem, por exemplo, estruturas calcárias ou rígidas de qualquer maneira, como ossos e exoesqueletos. A parte mais resistente do corpo do tardígrado é uma cobertura de quitina – justamente a parte mais conservada deste novo fóssil.

Os outros dois fósseis são de duas espécies que datam do período Cretáceo: Milnesium swolenskyi, de 92 milhões de anos; e Beorn leggi, de 72 milhões.

Além de serem extremamente resistentes, ademais, os tardígrados são altamente abundantes no planeta. Eles existem em todos os continentes (até na Antártida), nas mais variadas faixas de temperatura, salinidade, pH e radioatividade.

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Imagem: Flickr

O segredo desses ursinhos super-resistentes, aliás, está escondido dentro de suas células. Sendo um animal, as células do tardígrado têm muitas semelhanças com as nossas. Contudo, quando expostos a condições extremas, esses animais podem se enrolar, mais ou menos como um tatu, e entrar numa forma de resistência.

Nesse estágio, a água de todas as células dos tardígrados é substituída por uma substância gelatinosa (ainda não bem conhecida). Esse “gel” celular funciona como uma resina e mantém todos os componentes celulares na mesma conformação e estabilidade.

Quando os animais entram em contato novamente com o ambiente, essa substância se dissolve e eles voltam à vida como se nada houvesse acontecido.

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