História
Ossadas encontradas em igreja na Holanda podem ser do mosqueteiro d’Artagnan, morto em 1673
Arqueólogos podem ter encontrado os restos mortais de Charles de Batz de Castelmore d’Artagna, o verdadeiro mosqueteiro que inspirou o famoso personagem de Alexandre Duma, enterrados sob o altar de uma igreja em Maastricht, nos Países Baixos. A descoberta, feita durante obras de reparo no piso da Igreja de São Pedro e São Paulo, no bairro de Wolder, reacendeu uma busca que dura mais de três décadas e pode resolver um mistério histórico de 350 anos.
D’Artagnan foi um nobre gascão que serviu ao rei Luís XIV como capitão dos mosqueteiros. Ele morreu em junho de 1673, durante o Cerco de Maastricht, supostamente atingido por um tiro de mosquete no pescoço. Desde então, o paradeiro de seus restos mortais era desconhecido, até agora.
Uma descoberta acidental
A localização dos ossos não foi resultado de uma escavação planejada, mas de um acidente estrutural. Um trecho do piso da igreja havia afundado por causa de subsidência do solo, rachando parte do revestimento de azulejos históricos. Foi durante o conserto que operários encontraram um esqueleto.
“Um pedaço do piso havia cedido na igreja e, durante os reparos, descobrimos um esqueleto”, contou o diácono Jos Valke à emissora holandesa L1 Nieuws. “Imediatamente liguei para Wim, porque ele trabalha com d’Artagnan há mais de 20 anos.”
O “Wim” mencionado é o arqueólogo Wim Dijkman, hoje aposentado, que há 28 anos persegue pistas sobre o local de sepultamento do mosqueteiro. Chamado ao local, ele retirou os ossos cuidadosamente, um a um.
Indícios apontam para o mosqueteiro
Os restos estavam em estado surpreendentemente bom de conservação, apesar de o crânio apresentar danos significativos. Mais importante do que a preservação física, porém, foram os detalhes encontrados junto ao esqueleto.
“Ele foi enterrado sob o altar, em solo sagrado. Havia uma moeda francesa na tumba datada de 1660. E a bala que o matou estava ao nível do tórax, exatamente como descrito nos livros de história. Os indícios são muito fortes”, afirmou Valke.
A escolha do local de sepultamento também é coerente com o que se sabe sobre os costumes da época. O rei Luís XIV era católico fervoroso, e transportar o corpo de um de seus principais tenentes de volta à França durante o calor do verão europeu seria uma tarefa logisticamente inviável e desagradável. O mais provável é que d’Artagnan tenha sido sepultado com honras em solo consagrado próximo ao campo de batalha.
A Igreja de São Pedro e Paulo sempre foi considerada a candidata mais provável. Ela fica próxima ao local onde o exército francês acampou durante o cerco, e, segundo a historiadora Odile Bordaz, que vasculhou registros paroquiais da época, oficiais de alta patente mortos em batalha costumavam ser enterrados na igreja mais próxima. O problema é que o registro específico dessa paróquia está desaparecido, o que impediu qualquer confirmação documental até agora.
DNA será o árbitro final
Apesar de todos os indícios circunstanciais, os pesquisadores são cautelosos. A presença de uma bala e de uma moeda francesa, por si só, não é suficiente para uma identificação positiva, afinal, havia uma guerra em andamento, e outros soldados franceses poderiam ter sido enterrados na região.
“Esta se tornou verdadeiramente uma investigação de alto nível, na qual queremos ter absoluta certeza, ou a maior certeza possível, de se é o famoso mosqueteiro, morto aqui perto de Maastricht”, declarou Dijkman à agência Reuters.
Para resolver a questão de forma definitiva, foi extraído material genético da mandíbula do esqueleto. O DNA será comparado ao de descendentes da linhagem paterna de d’Artagnan, que se voluntariaram para fornecer amostras genéticas. Os resultados são esperados em breve.
Da ficção à realidade
A saga dos mosqueteiros, imortalizada por Dumas em Os Três Mosqueteiros (1844), é baseada em personagens reais do século XVII. Athos, Porthos, Aramis e d’Artagnan existiram de fato, e suas aventuras, ainda que dramatizadas pelo romancista, têm raízes históricas documentadas.
A possível identificação dos restos de d’Artagnan representaria não apenas um marco para a arqueologia e a história militar francesa, mas também o fechamento de um capítulo que ficou em aberto por mais de três séculos. Para Dijkman, que dedicou quase três décadas a essa busca, a confirmação pelo DNA seria o desfecho de uma investigação tão persistente quanto as aventuras do próprio mosqueteiro.
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