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História & Humanidade

Esqueletos de ‘casal de conchinha’ de 3 mil anos descobertos em Israel

(Bethsaida Excavations Project).

Pesquisadores encontraram, no sítio arqueológico de Betsaida, em Israel, um “casal de conchinha” de 3 mil anos. O casal foi enterrado dessa forma há três milênios no local – com o homem repousando seus braços sobre a mulher, como um abraço, então, a famosa posição de conchinha, muito utilizada pelos casais ao dormir.

Os arqueólogos chamaram o casal de Romeu e Julieta, em homenagem à famosa tragédia de William Shakespeare. Não sei se trata-se de um nome exatamente apropriado, pela tragicidade da história de Shakespeare. Mas acredita-se que o casal morreu junto e jovem, assim como ocorreu (de certa forma) em Romeu e Julieta. 

“É muito, muito raro encontrar um casal como esse”, diz o pesquisador Rami Arav, diretor do projeto Betsaida e professor de estudos religiosos da University of Nebraska Omaha, em uma conferência virtual, conforme o Live Science. A conferência, organizada pela Universidade de Nova York e pela Autoridade de Antiguidades de Israel, ocorreu entre os dias 15 e 18 de outubro. 

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O que se sabe sobre o “casal de conchinha” de 3 mil anos?

Conforme os pesquisadores, o casal era bem jovem. O homem estava no final da adolescência e a mulher, no início da adolescência – clássico casal de escola. No entanto, eles não sabem o que causou a morte, embora possivelmente ambos morreram juntos. Se não morreram juntos, os enterraram dessa forma por algum motivo especial. 

“Aparentemente, eles morreram ao mesmo tempo, ou pelo menos enterrados ao mesmo tempo, antes de seus corpos se decomporem. Nenhum trauma permanece evidenciado nos esqueletos. Não temos idéia do que os matou”, explica Arav ao Live Science

Os pesquisadores conhecem os esqueletos há uma década. Eles são o primeiro artefato encontrado por essa equipe no sítio arqueológico de Betsaida. No entanto, eles não conseguiram extrair muitos dados do “casal de conchinha” de 3 mil anos. Portanto, sabe-se pouco sobre o casal.

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Os pesquisadores sabem que eles não morreram abraçados, mas alguém os posicionou assim antes de enterrá-los. Talvez o fizeram em homenagem ao casal, sabendo de sua história juntos, como jovens namorados. Mas também não há garantia de que sejam de fato um casal romântico. 

A partir daí, não podemos afirmar nada. A falta de objetos, como jóias, adereços e vestimentas impede os pesquisadores de investigar sobre a classe de origem do casal. Isto é, não se sabe se eram pessoas pobres ou membros da elite local. “Nenhuma oferta ou objetos acompanhou seu enterro”, diz Arav ao Live Science

Ruínas de Betsaida. (Chmee2 / Wikimedia Commons)

Contexto

Fora isso, os pesquisadores buscam entender um pouco do contexto histórico local, para compreender o casal. Há 3 mil anos, os aramaicos habitavam o local que tornou-se o atual sítio arqueológico bíblico de Betsaida. Além disso, Betsaida serviu como capital do pouco documentado Reino de Geshur.

Conforme já relatamos anteriormente, pouquíssimo se sabe sobre Geshur. A Bíblia e o Torá (o livro sagrado dos judeus) citam o reino, e há alguns fragmentos arqueológicos, mas nada muito detalhado. Em um determinado momento, há a queda do Império Egípcio de do Império Hitita. Dessa forma, pequenos reinos e algumas cidades-Estado passaram a competir pelo poder.

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Como resultado, então, não há centralização alguma, e os registros escritos armazenados em grandes bibliotecas, câmaras funerárias e templos, como faziam os egípcios, acabam por um bom tempo na região. A época que remete ao Reino de Geshur é um grande buraco negro na historiografia e na arqueologia. 

Se por falta de registros escritos já é difícil conhecer grandes pontos do local, importantes para a história, imagine só um simples casal enterrado. Arav conta que eles desejavam fazer análises de DNA para buscar por mais informações e talvez encontrar algo interessante. No entanto, a equipe não possui recursos suficientes para isso, no momento.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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