Aracnídeo geneticamente modificado pode nos mostrar a evolução das aranhas

Mateus Marchetto
Imagem: Lutz Peter / Pixabay

Pesquisadores acabam de criar um aracnídeo geneticamente modificado que pode os ajudar a compreender melhor a evolução das aranhas e escorpiões.

Os opiliões podem frequentemente ser confundidos com aranhas de porão. Contudo, estes aracnídeos de pernas extremamente longas provavelmente surgiram antes das aranhas e são mais próximos dos escorpiões. Pela sua posição na árvore evolutiva, pesquisadores vêm então os opiliões como um ótimo modelo para estudos de aracnídeos.

Assim, como mostra a pesquisa disponível no periódico The Royal Society, opiliões que tiveram certos genes silenciados acabaram não desenvolveram suas características pernas longas.

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Imagem: PublicDomainPictures / Pixabay 

No caso do silenciamento de um primeiro gene, um dos pares de pernas dos opiliões acabou formando pedipalpos. Estas estruturas são pequenas patas presentes nas aranhas, usadas para segurar o alimento.

Um segundo gene silenciado gerou aracnídeos com pernas mais curtas e sem tarsomeros (um tipo de articulação presente em artrópodes).

Para criar estes efeitos, por conseguinte, a equipe de pesquisadores utilizou uma técnica de edição genética conhecida como RNA interferente. Assim, a partir de um RNA modificado em laboratório, os pesquisadores puderam suprimir diversos genes de interesse.

Lembrando que um gene é silenciado quando sua informação não tem expressão na célula. Ou seja, o gene não consegue fazer sua função – e esse é um processo que pode ocorrer mesmo naturalmente.

Evento de duplicação do genoma de um aracnídeo ancestral

Além de criar um aracnídeo com perninhas curtas, a pesquisa fornece mais evidências para um evento antigo que ocorreu no grupo das aranhas, escorpiões e opiliões.

Acontece que um aracnídeo ancestral das aranhas e escorpiões passou por uma duplicação completa do genoma. Ou seja, uma divisão celular defeituosa gerou células com genes duplicados em um ancestral aracnídeo.

Isso consome mais energia das células, mas também oferece uma vantagem na exploração de diferentes mutações, como aconteceu com a Welwitschia mirabilis. Ou seja, animais que evoluíram depois deste ancestral com genes duplicados tinham mais abertura para novas mutações e vantagens evolutivas – como os pedipalpos já citados.

Os opiliões, contudo, já existiam antes deste evento de duplicação. Por esse motivo, estes artrópodes não desenvolveram certas características que vemos em aranhas e escorpiões.

A pesquisa está disponível no periódico The Royal Society Publishing.

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