Novo chip chinês pode permitir o desenvolvimento de uma super IA

Felipe Miranda
Imagem: Pixabay.

Pesquisadores chineses desenvolveram um novo chip que é alimentado por luz, ao invés de eletricidade, conforme os chips convencionais. O pequeno chip modular poderia permitir o desenvolvimento de uma inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês), que é uma inteligência artificial comparável ao ser humano. Assim, o novo chip chinês pode permitir uma super IA.

O estudo sobre o chiplet fotônico foi publicado pelos pesquisadores no periódico Science.

AGI

Artificial General Intelligence, ou Inteligência Artificial Geral é um tipo de inteligência artificial onde haveria, teoricamente, um desempenho tão bom quanto, ou até mesmo superior da IA em tarefas cognitivas, se comparada aos humanos.

Embora a evolução das IA tenha impressionado ultimamente, elas ainda estão longe de atingir a cognição humana, pois conseguem realizar um monte de tarefas complexas, como as IA que podem gerar do zero fotos e vídeos de maneira impressionante, mas não conseguem pensar como nós.

Entretanto, com a computação atual, alguns especialistas são céticos de surgir inteligências artificiais tão complexas. Então, talvez se fizesse necessário o surgimento de um novo tipo de chips, que fossem mais eficientes do que os utilizados atualmente.

É um grande debate o quão longe estão as AGI’s. Há quem dê um prazo de poucos anos para que elas surjam, mas há também os especialistas que digam que há um gargalo no poder de processamento na arquitetura atualmente utilizada em chips de processamento.

“A busca pela inteligência artificial geral (AGI) exige continuamente maior desempenho computacional. Apesar da velocidade de processamento superior e eficiência dos circuitos fotônicos integrados, sua capacidade e escalabilidade são restritas por erros inevitáveis, de modo que apenas tarefas simples e modelos rasos são realizados”, explicam os pesquisadores no abstrato do artigo.

Taichi – como o chip chinês pode permitir uma super IA

O Taichi é um chiplet desenvolvido pela equipe do estudo. Um chiplet, por sua vez, é um chip em dimensões menores. Cada chiplet pode ser responsável por uma tarefa específica e juntos, formar um chip tradicional.

Utilizando fótons para operar transístores, ao invés de eletricidades, o Taichi possui uma eficiência energética muito superior aos chips atualmente utilizados. Assim, o chip chinês pode permitir uma super IA

Além disso, eles conseguem realizar muitos cálculo em paralelo. Assim, com uma mesma quantidade de transístores, pode-se obter um resultado superior com esses chips alimentados via luz.

Ultimamente, uma saída para o processamento de IA’s tem sido a utilização de GPUs, que realizam processamento gráfico, ao invés de CPUs (o processador sem processamento gráfico). Entretanto, o consumo de energia está se tornando insustentável.

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Os processadores atuais já não dão conta das IAs. Imagem: Pixabay

Segundo o The Verge, estimativas apontam que treinar uma IA como o Chat GPT-3 demande eletricidade suficiente para alimentar 130 casas padrão EUA por ano. Entretanto, o portal aponta que as empresas do ramo são pouco transparentes em relação ao custo energéticos de suas IAs.

Por isso, essa nova arquitetura pode ser interessante para o desenvolvimento de uma nova arquitetura de chips. O chip chinês pode permitir uma super IA futuramente.

Segundo os autores do estudo, o Taichi alcançou uma escala de rede de 13,96 milhões de neurônios artificiais, que segundo eles, supera em muito os 1,47 milhão de um de seus concorrentes.

Conforme o artigo publicado, os pesquisadores alcançaram uma eficiência energética de 160,82 trilhões de operações por watt (TOPS/W), enquanto o segundo maior resultado veio em uma pesquisa de 2022, citada pelos pesquisadores, onde houve uma eficiência energética de apenas 2,9 TOPS/W por outro chip fotônico.

“Taichi alcançou experimentalmente a classificação em nível de categoria 1000 no chip (testando com 91,89% de precisão no conjunto de dados Omniglot de categoria 1623) e conteúdo gerado por inteligência artificial de alta fidelidade com até duas ordens de magnitude de melhoria na eficiência. Taichi abre caminho para computação fotônica em larga escala e tarefas avançadas, explorando ainda mais a flexibilidade e o potencial da fotônica para AGI moderno”, explicam os pesquisadores.

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