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Elefantas em luto carregam filhotes mortos por semanas, revela pesquisa

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Elefantes asiáticos, assim como os africanos, aparentemente passam por um processo de luto após perderem parentes, e às vezes carregam um filhote morto por dias ou semanas, segundo uma nova pesquisa publicada na Royal Society Open Science.

Os elefantes asiáticos são criaturas sociais, e a nova pesquisa acrescenta evidências à teoria de que eles sofrem uma resposta emocional após perderem um dos seus.

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“Entender a resposta dos elefantes à morte pode ter um efeito a longo prazo na sua conservação”, disseram os coautores do estudo, Sanjeeta Sharma Pokharel, do Zoológico Nacional e Instituto de Conservação Biológica do Smithsonian, e Nachiketha Sharma, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Quioto.

“Nós observamos pessoalmente que quando as pessoas testemunham um elefante respondendo à morte de um parente, há certa sensação de conexão, compaixão e empatia com a espécie. Assim, qualquer coisa que instantaneamente conecte as pessoas [a eles] pode trilhar o caminho de coexistência nos países onde há elefantes”.

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Elefantes-africanos já foram vistos reagindo emocionalmente à morte de outros membros do grupo. Eles podem se aproximar do corpo e tocá-lo com a tromba, chutá-lo ou permanecer próximo a ele, como se o guardasse.

Ainda não se sabe tanto sobre elefantes-asiáticos, contudo. Eles costumam viver em habitats florestais, então é mais difícil observá-los.

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Para driblar esse desafio, os coautores do estudo buscaram fontes no YouTube, onde há vários vídeos do animal. Eles buscaram por palavras-chave relacionadas à elefantes-asiáticos e morte, e encontraram 39 vídeos de 24 casos entre 2010 em 2021 onde um ou mais elefantes-asiáticos reagiam à perda de um parente.

80% dos vídeos mostram elefantes selvagens, 16% em cativeiro e 4% em semi-cativeiro.

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Alguns dos comportamentos mais marcantes ocorriam após a morte de um filhote. Em cinco dos doze vídeos exibindo um filhote morto, uma elefanta – possivelmente a mãe – foi vista carregando o filhote. Analisando o estado de decomposição do corpo, estima-se que esse comportamento durava dias ou semanas.

Um guarda do Serviço Florestal indiano, Parveen Kawan, postou um desses vídeos em 2019, exibindo um elefante-asiático arrastando o corpo de um filhote por uma estrada, no que ele atribuiu como sendo um rito funerário do animal.

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Outras reações comuns nos vídeos incluem inquietação e estado de alerta ao se aproximar do corpo; movimentos exploratórios, como se aproximar ou investigar, ou tocar e cheirar.

Elefantes se comunicam por odores, então cheirar não é algo incomum, de acordo com Brian Aucone, vice-presidente sênior no Zoológico de Denver, que não fez parte do estudo.

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Em 10 casos, os elefantes tentaram erguer, cutucar ou sacudir o corpo, como numa tentativa de reviver o colega perdido. Em 22 casos, eles pareciam estabelecer um tipo de vigília em torno do corpo.

“Nós vimos algo parecido com isso antes”, Aucone contou. Quando o zoológico faz eutanásia de elefantes velhos devido à doenças, os funcionários dão aos outros elefantes a chance de se despedirem, de acordo com ele.

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Os sobreviventes frequentemente cheiram o elefante morto, ou passam a tromba por suas bocas, um comportamento social comum.

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