Curiosity descobre que evidências de vidas passadas em Marte podem ter sido apagadas

Mateus Marchetto
Imagem: NASA / JPL-Caltech / UArizona

A sonda Curiosity está encarregada, nesse momento, de analisar amostras geológicas do solo de Marte. Contudo, o veículo acabou de encontrar uma coisa curiosa no planeta vermelho: evidências geológicas aparentemente mais “apagadas” que as demais. E essa descoberta pode ter relação com a presença de vida em Marte.

Acontece que a Curiosity está, pouco a pouco, analisando amostras minerais do solo de Marte. Isso é importante porque as rochas sedimentares do planeta mantém um registro detalhado de como o clima e o ambiente foram nos últimos milhões de anos.

Todavia, uma nova pesquisa do California Institute of Technology acaba de identificar registros sedimentares que estão apagados, com parte da “história” geológica faltando.

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Imagem: Wikimages/Pixabay

Ainda não há consenso sobre o que realmente causou esse apagamento dos minerais, mas há uma hipótese. Os pesquisadores acreditam que o escoamento de água salgada através dos sedimentos pode ter levado depósitos de argila que formariam minerais. Isso causou regiões, portanto, com muitas variações no padrão de rochas que seria normal para a região.

Vale ressaltar que a Curiosity está agora analisando o solo do Monte Sharp, na cratera Gale, onde acredita-se que existiu um grande lago há bilhões de anos.

Por que a descoberta da Curiosity é relevante para a vida em Marte?

De acordo com os pesquisadores, o escoamento de água que pode ter apagado o registro mineral pode também ter dado origem a um ambiente favorável a microrganismos. De acordo com a pesquisa, esse tipo de evento frequentemente causa a formação de estruturas subterrâneas com água, aqui na Terra. O mesmo processo pode ter, assim, acontecido em Marte.

Apesar disso, não há ainda qualquer evidência de material biológico extraterrestre no planeta vermelho. Ainda assim pode haver quantidades significativas de água sob a superfície que podem ter abrigado vida microbiana, de acordo com a pesquisa.

Vale ressaltar que a água salgada que limpou a argila de diversos pontos da cratera foi posterior à formação do lago que provavelmente existiu lá. Isso porque o lago surgiu há mais ou menos 3,5 bilhões de anos – quando a vida estava surgindo aqui na Terra. Esse lago, então, criou depósitos de argila que se mineralizaram e deixaram registros geológicos.

Acontece que a análise da Curiosity detectou uma variação nesse padrão, indicando que posteriormente a água salgada de outros lagos ou reservatórios próximos acabou chegando nessa região da cratera, deixando ”buracos” na sedimentação.

O artigo está disponível no periódico Science.

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