Cientistas criam sistema de IA capaz de detectar indícios de vida alienígena

Rafael Motta
Imagem: Spectroscopy Online

Um novo algoritmo de aprendizado de máquina (machine learning), segundo estudo realizado por pesquisadores da Carnegie Institution for Science em Washington, Estados Unidos, promete revolucionar a maneira como podemos detectar vida fora da Terra

De acordo com o documento, a nova tecnologia é treinada por meio de fósseis, células vivas, meteoritos e elementos químicos produzidos em laboratório para detectar formas de vida alienígenas. O algoritmo consegue, com 90% de precisão, distinguir amostras biológicas ou não biológicas.

O algoritmo recebeu dados de 134 amostras conhecidas e ricas em carbono. Com isso, ele foi capaz de distinguir produtos de vida recente de outros de origens abióticas (desprovidos de vida).

Curiosamente, os próprios cientistas ainda não sabem explicar de que maneira isto acontece. O motivo por trás disso é relativamente “simples” de compreender: de maneira geral, modelos de IA não são claros no que eles realizam internamente para fornecer respostas. 

Os cientistas alegam que amostras de rochas marcianas podem ser coletadas e imediatamente analisadas pelo protótipo. Da mesma forma, ele pode trazer respostas interessantes a respeito das origens da Terra por meio da análise de amostras de materiais antigos – sejam eles terrenos ou alienígenas.

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De acordo com os cientistas, o novo teste poderia ser utilizado praticamente de imediato. Sua função seria investigar a presença de vida em Marte, analisando os dados obtidos pelas rochas marcianas coletadas pelo rover Curiosity. Imagem: Pixabay

Vida alienígena? Há esperança

“Estes resultados significam que podemos encontrar formas de vida em outro planeta, em outra biosfera, mesmo que seja muito diferente da vida que nós conhecemos na Terra”, disse Robert Hazen, colíder da pesquisa, em um comunicado.

Além disso, ainda de acordo com Hazen, pode ser possível dizer se a vida encontrada em outros planetas tem a ver com o que originou a vida na Terra, ou se estaria relacionada com outros enredos.

O estudioso acrescentou:

Isso é um grande negócio porque é relativamente fácil detectar os biomarcadores moleculares da vida na Terra, mas não podemos presumir que a vida alienígena usará DNA, aminoácidos, etc. Nosso método procura padrões em distribuições moleculares que surgem da demanda da vida por moléculas ‘funcionais’.

O que a ciência já sabe?

Pesquisadores já sabem que misturar certos elementos químicos em temperaturas de mares primordiais (algo em torno de 70-80 graus Celsius) pode criar moléculas orgânicas, como aminoácidos, que são formas de proteína necessárias para a existência da vida como a conhecemos.

Porém, a maior dificuldade enfrentada pelos cientistas é diferenciar se as coisas encontradas em outros planetas são, de fato, de origem biológica ou se formaram por mera coincidência devido a alterações químicas pontuais.

Tendo em vista que as moléculas biológicas tendem a se degradar com o tempo, a presença de uma IA que facilite este mapeamento em terras alienígenas é certamente bem-vinda.

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