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História & Humanidade

A Estrela de Belém, do primeiro natal bíblico, realmente ocorreu?

(Pixy).

No dia 21 de dezembro de 2020, os céus nos presentearão com a “Estrela de Belém”. Não trata-se realmente de uma estrela, mas de uma Grande Conjunção – a aproximação entre Júpiter e Saturno. Eles se aproximarão tanto, que para nós parecerão um único ponto super brilhante. 

Grandes Conjunções normais são bastante comuns. Mas essa, em específico, é extraordinária. Uma aproximação tão grande entre Júpiter e Saturno nos céus não ocorre desde a Idade Média, em 1226 – quase 800 anos atrás. Em outro texto, separamos algumas dicas para observar o fenômeno. Acesse-o por meio deste link

O nome “Estrela de Belém” vem da mitologia Cristã. Segundo a tradição católica e algumas protestantes (evangélicos não comemoram o natal como nascimento de Jesus), uma grande estrela no céu (Estrela de Belém) indicou aos Três Reis Magos sobre o nascimento de Jesus. Eles guiaram-se, então, até Belém, na Palestina, bastante próxima a Jerusalém. Mas qual a relação dessa estrela com a realidade?

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Os Três Reis Magos e a Estrela de Belém

Os Três Reis Magos são aqueles personagens da famosa história dos três visitantes que levaram ouro incenso e mirra ao recém nascido menino Jesus. Não há evidências, é claro, de que isso realmente ocorreu. Acredita-se que a tradição cristã se inspirou em sacerdotes do Zoroastrismo, uma religião da antiga Pérsia. 

A Estrela de Belém é, na mitologia cristã, um ponto brilhante no céu que guiou os Três Reis Magos até o local de nascimento de Jesus.
Pintura Adoração dos Magos, de Bartolomé Esteban Murillo.

Além disso, o Natal é uma construção póstuma. Roma queria trazer mais pessoas para o cristianismo, seja por motivos políticos, seja por motivos religiosos, já que por muito tempo a Europa não era praticamente inteiramente cristã, como nos dias de hoje. 

Mais ou menos na época de Natal, a religião romana pagã e outras religiões não cristãs da Europa possuíam diversas festividades e rituais ligados ao solstício de inverno europeu (solstício de verão para nós), que ocorre anualmente, entre 21 e 22 de dezembro (21 de dezembro, em 2020). Nesse momento, a noite é mais longa do que o dia e marca o início do inveno. 

“O aparente poder sobrenatural para governar as estações, que se manifesta nos solstícios, inspirou reações de todos os tipos: ritos de fertilidade, festivais relacionados com o fogo, oferendas aos deuses”, conta ao El País o historiador Richard Cohen.

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Então, independente de sua crença (se você é cristão pode imaginar, por exemplo que ;deus ocasionou essas misturas – mas não se ofenda com os fatos), historicamente, sabe-se com certeza que o Natal surgiu de uma construção religiosa de Roma para adaptar os povos pagãos aos costumes cristão, trazendo mais fiéis para a religião cristã romana. É mais fácil se adaptar aos costumes de milhões de pessoas do que obrigá-las a mudar seus costumes. 

Buscando pela origem da estrela

Mas e a Estrela de Belém, existiu mesmo? Mesmo que muito da bíblia seja uma construção, baseia-se, em grande parte, em fatos reais. Então a Estrela de Belém pode ser real. Dificilmente um dia descobriremos com certeza, mas há suspeitas de fenômenos astronômicos reais que possam ter inspirado a história dos Três Reis Magos. 

Segundo a revista Astronomy, desde o século XIII (13), estudiosos buscam descobrir o que ocasionou o fenômeno. Mais recentemente, diversas hipóteses surgiram, desde uma supernova, um cometa, uma explosão solar ou alinhamento de planetas. 

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De cara, descartamos um meteoro. Esses fenômenos ocorrem instantaneamente.  

Dificilmente é, também, uma supernova. Embora conheçamos de fato as supernovas como uma explosão estelar somente recentemente, há milênios a humanidade observa o céu, e nota os novos brilhos que surgem, e uma supernova naquele período integraria algum outro relato além da bíblia. A única supernova próxima ocorreu em 185 EC, quase dois séculos após o período que a igreja assume como o nascimento de Jesus.

A Estrela de Belém é, na mitologia cristã, um ponto brilhante no céu que guiou os Três Reis Magos até o local de nascimento de Jesus.
SN 185, ou RCW 86, a supernova que se assemelhou a uma forte estrela para os Chineses em 185 EC. (NASA/JPL-Caltech/UCLA).

Mas e se pensarmos em algo mais óbvio? As pessoas estão chamando a conjunção planetária do dia 21 de Estrela de Belém. E se essa “estrela” é, de fato, uma conjunção planetária? Estudiosos cogitam a possibilidade desde o século 13, e é bastante promissora, pois em 3 AEC, Júpiter e Vênus, os dois planetas mais brilhantes do céu, se aproximaram a apenas 1/10 de grau, fundindo-se, no céu aparente, em um único ponto. 

Há, ainda, outras explicações relacionadas com fenômenos reais e tradições da astrologia. É difícil saber se algo real inspirou a história, e ainda mais difícil saber o que inspirou. Então, permanecemos nos campos das hipóteses. 

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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