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São as histórias a chave para a inteligência humana?

Por Tania Lombrozo no NPR

Em uma palestra em Pittsburgh no ano de 1997, o falecido biólogo evolucionário Stephen J. Gould propôs caracterizar humanos como “os primatas que contam histórias”. O psicólogo Robyn Dawes foi mais além sugerindo que humanos são “os primatas cuja capacidade cognitiva se desliga na ausência de história”.

Para ser honesto, nós amamos uma boa história. Uma pesquisa sugere que anedotas podem ser tão persuasivas tanto quanto dados puros, que jurados são influenciados pela qualidade da acusação e defesa de uma “história” ao se decidir se um réu é culpado. Mesmo na ciência nós procuramos explicações detalhadas, não meras descrições; na história, nós queremos uma boa narrativa, não uma mera sequência de eventos.

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Mas o que as histórias têm de especial? São elas mero entretenimento? Ou elas oferecem algo mais? Em particular, seriam as histórias a chave para a inteligência humana?

Histórias têm sido estudadas de várias formas por meio de muitas disciplinas, de estudos literários e midiáticos, até psicologia e linguística. Mas para entender seu potencial papel na inteligência humana, é especialmente esclarecedor considerar como elas surgiram em Inteligência Artificial (IA).

Uma razão para que sistemas de IA precisam entender ou produzir histórias é porque eles interagem com humanos. De fato, há evidências que as pessoas confiam mais nos robôs e podem trabalhar com eles mais efetivamente quando os robôs oferecem explicações mais “humanas”. Mas mesmo na ausência da interação com humanos, as histórias poderiam contribuir para a inteligência da máquina?

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Pesquisadores de Inteligência Artificial têm explorado o papel potencial para histórias desde, ao menos, os anos 90. Em um livro publicado em 1990, por exemplo, o cientista da computação e cognitivo Roger Schank defendeu uma ligação crucial entre narrativa e inteligência, com narrativas guiando aprendizado, estruturando memorias e apoiando generalizações. Em 2011, o pesquisador em IA Patrick Winston defendeu a Hipótese da História Forte (em tradução livre), segundo a qual  “narrativas e compreensões tem um papel central na inteligência humana”, passando a sugerir um sistema artificial com capacidades humanas.

Estas ideias evoluíram e agora são chamadas por “inteligência narrativa” computacional, tal qual o cientista da computação Mark Riedl define como “a habilidade de criar, contar, entender e responder afetivamente histórias”. Ele sugere que a inteligência narrativa pode ser um passo crucial no “aculturamento” da máquina, permitindo que sistemas de Inteligência Artificial adquiram normas sociais, costumes, valores e etiquetas humanas — o entendimento de aspectos do senso comum são notoriamente difíceis para computadores aprenderem.

Nem todos os teóricos de IA concordam com a ênfase em histórias, mas considerar propostas de como os computadores poderiam se beneficiar de histórias, podem nos ajudar a compreender a importância que papel delas tem desempenhado para os humanos. Assim como os computadores podem usar histórias ou narrativas como uma forma de estruturar a memória e a aprendizagem, os seres humanos também podem. Apenas histórias podem fornecer uma forma valiosa de “aculturar” máquinas, as narrativas certamente fornecem um mecanismo crucial para a transmissão social de informação em humanos.

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Isso não quer dizer que todas as formas de inteligência devem envolver histórias  — de fato, nós devemos evitar a tentação de definir inteligência em termos estritamente humanos. Mas como Riedl sugeriu, sistemas artificiais com falta de narrativas parecem possuir “uma especie de inteligência alienígena”. Pode muito bem ser que alguns aspectos da nossa inteligência exclusivamente humana é baseada em nossa capacidade de compreender e construir histórias.

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Graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Engenheiro de software em uma startup de Gestão Financeira. Cético, humanista, apaixonado por ciência, filosofia e tecnologia, adora codar e é um entusiasta dos princípios Open Source. Também é Divulgador científico nas páginas Universo Racionalista, Sociedade Científica e Carl Sagan Brasil. Usa o tempo livre para praticar esportes, ler muito e sair com amigos. Até hoje não encontrou nada que não lhe desperte interesse.

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