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Mensagens com números surgem em uma rádio “fantasma” e deixam especialistas intrigados

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Uma nova estação de rádio misteriosa, transmitindo sequências numéricas em farsi, surgiu nas ondas curtas logo após o início de ataques no Oriente Médio, reacendendo debates sobre espionagem e guerra psicológica.

Entusiastas de rádio e especialistas em segurança estão intrigados com um fenômeno que parecia pertencer aos livros de história da Guerra Fria. Conhecidas como “estações de números”, essas transmissões em ondas curtas voltaram aos holofotes com o surgimento de um novo sinal misterioso operando inteiramente em farsi.

O monitoramento global realizado por voluntários do site Priyom.org identificou a estação, batizada tecnicamente como V32, logo após o início de recentes bombardeios no Oriente Médio. O sinal emite sequências numéricas aleatórias entre ruídos estáticos persistentes e sinistros.

A estrutura das transmissões segue um padrão metódico, com a voz de um homem lendo algarismos em persa em horários específicos do dia. De tempos em tempos, o locutor repete três vezes a palavra “tavajjoh”, que significa atenção, sinalizando o início de uma mensagem cifrada para alguém que está operando em campo.

Fantasmas da rádio ressurgem no cenário geopolítico

Diferente da famosa rádio russa UVB-76, que emite sons de buzina e nomes russos há quatro décadas, a V32 parece ter uma missão mais imediata e tática. Analistas sugerem que o sinal serve como um sistema de backup extremamente seguro para agentes operando em território hostil durante grandes conflitos.

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A rádio começou a operar na frequência de 7910 kHz, tornando-se a primeira nova estação de números detectada em muitos anos pelos radioamadores. Sua aparição coincide com um período de alta tensão entre o Irã, os Estados Unidos e Israel, o que alimenta diversas teorias sobre quem estaria por trás dos microfones.

Algumas hipóteses sugerem que o regime islâmico utiliza a frequência para manter comunicações militares caso a internet sofra apagões. Por outro lado, o uso do persa indica que o destinatário está no Irã, mas a origem física do sinal pode estar muito longe das fronteiras daquele país asiático.

No dia 4 de março, a dinâmica dessa transmissão mudou drasticamente quando um potente bloqueador de sinais começou a interferir propositalmente na frequência. Esse ruído artificial tornou os números inaudíveis, evidenciando que existe uma batalha invisível ocorrendo nas ondas curtas para impedir o contato.

Especialistas em inteligência de sinais notaram que o tipo de interferência utilizado é característico dos sistemas de censura eletrônica do governo iraniano. Esse método é frequentemente empregado para derrubar transmissões de rádios independentes, como a Radio Farda e a versão em farsi da rede britânica BBC.

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A detecção desse bloqueio reforça a ideia de que a rádio V32 não é uma ferramenta do governo local, mas sim de seus oponentes estratégicos. Se o regime está gastando recursos para silenciar uma sequência de números, é porque o conteúdo dessas mensagens possui um valor estratégico que as autoridades consideram perigoso.

Triangulação aponta para o coração da Europa

Triangulações geográficas realizadas por especialistas independentes apontam que a origem da V32 está situada na Europa Ocidental, longe da zona de conflito. A zona de emissão engloba países como Bélgica, França, Alemanha e o norte da Itália, sugerindo uma infraestrutura de transmissão sofisticada e protegida.

Essa localização remota dificulta a neutralização física da estação por parte de forças iranianas, restando apenas o bloqueio eletrônico como alternativa viável. O uso de bases na Europa para transmitir ordens cifradas a espiões ou grupos de oposição interna é uma tática clássica que remonta aos tempos da espionagem.

A tecnologia por trás das estações de números é baseada no conceito do “one-time pad”, ou bloco de notas de uso único. Esse sistema utiliza uma chave aleatória que é conhecida apenas pelo emissor e pelo receptor, tornando a mensagem tecnicamente impossível de ser decifrada sem o acesso direto ao código físico.

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Mesmo com supercomputadores modernos, a simplicidade matemática desse método analógico oferece uma camada de segurança que sistemas digitais complexos muitas vezes não conseguem garantir. Enquanto satélites e e-mails podem ser hackeados, uma onda de rádio captada por um receptor comum permanece anônima e discreta.

A pessoa que recebe a mensagem precisa apenas de um rádio de ondas curtas comum e um pequeno caderno de papel para transformar os números em palavras. Esse equipamento rudimentar é fácil de esconder e não deixa rastros digitais que possam ser rastreados por agências de vigilância ou provedores de rede.

O ressurgimento dessas estações prova que, em cenários de guerra de alta intensidade, as ferramentas mais rústicas e antigas continuam sendo as mais eficazes. A rádio V32 segue mudando de frequência para escapar dos bloqueadores, mantendo vivo um duelo de inteligência que se recusa a ser totalmente digitalizado.

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