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Planetas semelhantes à Terra precisam de radiação cósmica para sustentar a vida e este pode ser o segredo que você nunca imaginou para a busca por novos mundos habitáveis

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Um novo modelo astronômico sugere que o bombardeio de raios cósmicos vindos de explosões estelares distantes foi o ingrediente essencial para secar mundos em formação e permitir que planetas como a Terra surjam com maior frequência.

Pesquisadores da University of Tokyo propõem que essa radiação de alta energia é capaz de enriquecer sistemas solares jovens com isótopos radioativos fundamentais. O estudo, publicado na revista Science Advances, redefine como entendemos a evolução geoquímica dos planetas rochosos.

Para ser habitável, um mundo precisa de massa suficiente para manter uma atmosfera, mas não pode acumular água em excesso. Sem uma fonte de calor interna para evaporar o hidrogênio e o hélio, a maioria dos planetas rochosos acabaria se tornando o que os astrônomos chamam de mundos oceânicos ou planetas Hycean.

Esses mundos possuem oceanos tão profundos que a pressão impede a existência de ciclos geoquímicos essenciais para o surgimento de vida. Para evitar esse destino, o sistema solar primitivo contou com os isótopos radioativos de vida curta (SLRs), que são elementos químicos que decaem liberando calor interno.

O segredo está no calor das rochas espaciais

O isótopo alumínio-26 é um dos principais protagonistas dessa história cósmica de aquecimento global primário. Como ele tem uma meia-vida de apenas alguns milhões de anos, sua presença em meteoritos indica que ele estava ativo durante o nascimento da Terra, funcionando como um aquecedor geológico interno.

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Além do alumínio, outros elementos como o titânio-44 desempenharam papéis similares na estabilização térmica das rochas. A grande questão que intrigava os astrofísicos era a origem desses materiais, já que eles costumam ser forjados no coração violento de supernovas que poderiam destruir os sistemas jovens.

Até então, acreditava-se que uma supernova precisaria explodir muito perto do Sol para entregar esses isótopos. No entanto, uma explosão a curta distância provavelmente arrasaria o disco protoplanetário, dissipando toda a poeira e o gás necessários para formar os planetas antes mesmo do processo começar.

O novo estudo sugere que o banho de raios cósmicos é uma solução muito mais elegante e comum estatisticamente. Segundo as simulações, se pelo menos uma supernova ocorrer a uma distância de aproximadamente um parsec, ela seria capaz de irradiar o sistema solar com partículas sem causar danos estruturais.

Uma alternativa segura às explosões vizinhas

Esses raios cósmicos, ao colidirem com os materiais no disco de poeira ao redor de uma estrela jovem, geram os isótopos radioativos necessários. Esse mecanismo de irradiação por partículas energéticas elimina a necessidade de um evento catastrófico vizinho, tornando a criação de planetas secos frequente.

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Como a maioria das estrelas semelhantes ao Sol nasce dentro de aglomerados estelares densos, as chances de uma supernova ocorrer por perto são altas. Esse ambiente compartilhado garante que muitos sistemas solares recebam essa dose extra de radiação, aumentando as estatísticas de mundos terrestres no universo.

A equipe liderada por Ryo Sawada utilizou dados de meteoritos para validar a eficácia do novo modelo físico. Ao observar o excesso de magnésio-26 em fragmentos espaciais, que é o produto do decaimento do alumínio-26, os cientistas conseguiram traçar a história térmica exata que permitiu que a Terra não fosse inundada.

Esse processo de enriquecimento radioativo atua como um termostato cósmico fundamental para a habitabilidade. Sem esse calor extra, as camadas de gelo e água seriam tão espessas que a crosta rochosa ficaria isolada, impedindo a circulação de nutrientes vitais e o desenvolvimento de formas de vida complexas.

A abundância de alumínio-26 na Via Láctea é bem conhecida pelos astrônomos e serve como um medidor de atividades estelares. O nível desse isótopo na nossa galáxia fornece uma estimativa precisa sobre a frequência com que estrelas massivas morrem, reforçando que o bombardeio de radiação é um fenômeno recorrente.

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Vizinhos estelares e a sorte estatística

Embora o modelo seja robusto, os pesquisadores ainda precisam investigar se diferentes tipos de supernovas produzem variações significativas nos isótopos gerados. A composição química de cada berçário estelar pode variar dependendo da massa das estrelas vizinhas, o que influenciaria a geologia final dos exoplanetas.

Outro ponto importante destacado pelo estudo é a janela temporal específica em que essa irradiação deve ocorrer. Para que os isótopos de vida curta façam efeito, o sistema planetário deve estar em uma fase crítica de aglutinação de poeira, garantindo que o calor seja aprisionado dentro dos embriões em crescimento.

Com a confirmação de que os raios cósmicos podem ser os arquitetos de mundos secos, a busca por vida ganha novos alvos. Observações futuras com telescópios de alta resolução podem tentar identificar as assinaturas químicas desses isótopos em discos ativos, testando a teoria em tempo real em outros sistemas.

A descoberta também levanta questões sobre sistemas solares que se formam em regiões isoladas da galáxia, longe de aglomerados densos. Nesses locais, a falta de supernovas próximas poderia resultar em uma predominância de planetas oceânicos, onde a química da vida seria drasticamente diferente da encontrada aqui.

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O grupo de Sawada planeja agora refinar as simulações para incluir outros tipos de radiação galáctica que poderiam influenciar a formação química. O objetivo é criar um mapa de probabilidade que aponte as atmosféricas e térmicas para abrigar planetas rochosos similares ao nosso em toda a nossa vizinhança.

Apesar do otimismo, os cientistas alertam que modelos teóricos sempre possuem margens de incerteza baseadas nas premissas iniciais. A interação entre o vento solar e os raios cósmicos externos, por exemplo, é um fenômeno complexo que pode atenuar ou potencializar a produção de isótopos nos sistemas jovens.

O brilho de alumínio na Via Láctea

A pesquisa abre um caminho fascinante para integrar a astrofísica de altas energias com a geologia planetária. Compreender como partículas subatômicas que viajam pelo vácuo podem ditar se um mundo terá continentes ou será apenas um oceano global é um salto significativo na nossa compreensão sobre o cosmos.

No momento, a equipe de pesquisadores está focada em expandir o banco de dados sobre isótopos encontrados em meteoritos mais antigos. Eles esperam encontrar evidências de outros radioisótopos, como o cálcio-41, que poderiam fornecer um cronômetro ainda mais preciso para os primeiros momentos do sistema solar.

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