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Ciência

“Netuno quente”: a atmosfera deste exoplaneta não devia existir

Concepção artística do exoplaneta LTT 9779. (Créditos da imagem: Ricardo Ramirez).

A 260 anos-luz de distância da Terra, há um “Netuno quente”. O exoplaneta, chamado LTT 9779b, é extremamente quente, e sua atmosfera não deveria existir – mas existe. Netuno quente é um termo para um planeta com a massa semelhante à de Netuno e que orbita bastante próximo de sua estrela. Os cientistas o descobriram no ano passado, com dados da TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), uma sonda da NASA caçadora de exoplanetas. 

“Pela primeira vez, medimos a luz proveniente deste planeta que não deveria existir”, diz em um comunicado Ian Crossfield professor assistente de física na Universidade do Kansas. Ele se refere, na frase, à assinatura de uma atmosfera captada através da luz refletida pelo planeta. A espectrografia nos entrega diversos detalhes sobre a composição de planetas, estrelas e nebulosas.

Os pesquisadores descreveram o trabalho em um artigo publicado na segunda-feira (26) no periódico The Astrophysical Journal Letters.

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Netuno quente, muito quente

“Este planeta é tão intensamente irradiado por sua estrela que sua temperatura é superior a 3.000 graus Fahrenheit (cerca de 1600 graus Celsius) e sua atmosfera poderia ter evaporado completamente. No entanto, nossas observações do Spitzer nos mostram sua atmosfera através da luz infravermelha que o planeta emite”, explica Crossfield.

Para efeitos de comparação, Vênus é o planeta mais quente do sistema solar, embora Mercúrio esteja mais próximo ao Sol. Vênus é quente e corrosivo o suficiente para em, minutos, danificar as sondas que adentram sua atmosfera. Mesmo assim, a superfície de Vênus possui uma temperatura média de 460 graus Celsius, mais de 3 vezes mais frio do que LTT 9779b. Chumbo, platina, cromo e aço inoxidável – todos esses metais derreteriam na superfície do planeta.

Podemos, também, comparar sua distância com a de Mercúrio. A velocidade da órbita de um planeta tende a aumentar de acordo com a proximidade à estrela. Por exemplo, um ano em Plutão são 248 anos terrestres. Um dia em Mercúrio são 88 dias terrestres. Mas agora o nível se eleva – um dia em LTT 9779b, por sua vez, dura um período incrível de menos de 24 horas terrestres. Isso é o quão quente é o planeta.

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Como essa atmosfera foi parar lá?

“Medimos a quantidade de luz infravermelha emitida pelo planeta enquanto ele gira 360 graus em seu eixo”, explica Crossfield. “A luz infravermelha informa a temperatura de algo e onde estão as partes mais quentes e frias deste planeta – na Terra, não é mais quente ao meio-dia; é mais quente algumas horas à tarde. Mas neste planeta, é realmente mais quente apenas mais ou menos ao meio-dia. Vemos a maior parte da luz infravermelha vindo de uma parte do planeta quando sua estrela está bem acima e muito menos de outras partes do planeta”.

Eles explicam que o planeta é bem mais frio do que o esperado. Então, com base nas análises iniciais, os cientistas acreditam que ele reflete muita luz para o exterior. Isso explicaria o motivo pelo qual há tanta divergência nas leituras de temperatura pelo planeta. As nuvens do alto da atmosfera a refletem de volta para o espaço a luz que atinge o planeta.

“Eu não diria que entendemos tudo sobre este planeta agora, mas medimos o suficiente para saber que este será um objeto realmente frutífero para estudos futuros”, explica o co-autor Nicolas Cowan, do Instituto de Pesquisa de Exoplanetas (iREx). “O que nossas medições até agora nos mostram são o que chamamos de recursos de absorção espectral – – e seu espectro indica monóxido de carbono e / ou dióxido de carbono na atmosfera. Estamos começando a entender quais moléculas compõem sua atmosfera”.

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Mas os cientistas ainda não fazem ideia de como o planeta retém sua atmosfera. Esse será, então, o próximo passo da pesquisa.

O estudo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters. Com informações de Eurekalert (University of Kansas).

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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