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Contato visual influencia a relação entre cão e humano

Pesquisadores descobriram que o contato visual pode afetar profundamente a relação entre cães e seres humanos mesmo evolutivamente.

Pesquisadores mostram como cães de focinhos curtos podem fazer contato visual mais facilmente. Imagem: Alan Smith/Pixabay

Cães são profissionais em pedir comida apenas com contato visual. Basta abrir um pacote de biscoitos para o canino mais próximo começar a olhar para você com olhos implorantes. Todavia, assim com a maioria dos outros comportamentos dos nossos amigos caninos, os olhares podem ter uma razão evolutiva. Nesse sentido, um novo estudo acaba de mostrar como isso pode afetar a relação entre humanos e cães.

Para tanto, os pesquisadores conduziram diversos experimentos avaliando o tempo de contato visual entre cão e humano, por exemplo. Ademais, o formato da cabeça e do focinho do animal também foram determinantes para entender a relação, como falaremos mais à frente.

Imagem: Nancy Sticke/Pixabay

125 cães de diversas raças e tamanhos participaram da pesquisa em questão, passando por uma série de testes. Um deles, inclusive, avaliava o contato visual enquanto um pesquisador segurava um pedaço de carne perto do animal. A velocidade do olhar, intensidade, tempo de duração, dentre outros fatores, foram algumas características que os pesquisadores levaram em consideração para tirar algumas conclusões.

A primeira delas é que cães com focinhos mais curtos, em geral, conseguem estabelecer contato pelos olhos com mais facilidade. Ademais, os cientistas também observaram que raças mais sociáveis, de fato, estabelecem melhor contato.

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Contato visual e tamanho do focinho

A pesquisa levou em consideração também uma medida importante: o índice cefálico. Esse índice diz respeito à largura e ao comprimento da cabeça dos caninos. Ou seja, quanto menor o índice, mais curta e larga a cabeça do bicho (como seria a de um boxer).

Imagem: Bognár et al., Scientific Reports, 2021

Como é visível, cães com focinhos mais longos dependem mais da visão periférica e, por consequência acabam captando menos detalhes. Isso ocorre porque seus olhos tendem a ficar posicionados mais lateralmente na cabeça.

Em cães de focinho curto, por outro lado, os olhos ficam voltados para frente. Os pesquisadores acreditam, portanto, que isso pode beneficiar o contato visual com humanos. Além do mais, essa cara mais achatada pode criar uma semelhança subconsciente com feições humanas.

Pesquisas anteriores mostraram, aliás, que cães com focinhos mais curtos podem imitar e seguir gestos humanos com mais facilidade.

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Assim, ainda que os cães sejam uma das espécies mais sociáveis já domesticadas, essa sociabilidade pode variar por razões morfológicas. Dentro de seus contextos evolutivos, contudo, cada espécie se moldou por razões diferentes e específicas.

O artigo está disponível no periódico Scientific Reports.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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