Planeta Terra
Maior deslizamento de terra da história aconteceu há 45 anos nos Estados Unidos
O maior deslizamento de terra da história moderna não ocorreu em um passado remoto, mas sim há apenas 45 anos, em solo norte-americano. O evento catastrófico no Monte Santa Helena transformou a paisagem local de forma radical, criando um cenário de destruição comparável à superfície lunar.
De acordo com o United States Geological Survey, ou USGS, o fenômeno é definido como o movimento de massas de rocha ou terra encosta abaixo. Esse processo, também chamado de desperdício de massa, é uma ameaça constante em relevos íngremes.
A física por trás desses eventos é elementar: trata-se de um desequilíbrio entre a gravidade e a fricção. O British Geological Survey explica que, quando a gravidade excede as forças de resistência de uma encosta, a falha ocorre inevitavelmente no terreno.
A dinâmica das encostas instáveis
Embora pareça simples, um deslizamento raramente possui um único culpado, envolvendo uma combinação complexa de fatores. Quase todo evento desse tipo resulta de múltiplas causas que aumentam a pressão encosta abaixo ou reduzem a resistência mecânica dos materiais que compõem o solo.
A água desempenha um papel crucial nesse processo, seja através de chuvas intensas ou do aumento do lençol freático. O excesso de umidade aumenta o peso do material e atua como um lubrificante, reduzindo o atrito e facilitando o colapso repentino de montanhas e colinas em diversas regiões.
A erosão também é um agente silencioso que altera o ângulo das encostas ao longo do tempo. Quando o declive se torna acentuado demais para sustentar o próprio peso, o solo cede. Esse ciclo natural pode ser acelerado por eventos climáticos extremos ou por mudanças geológicas de longo prazo.
Ciclos de congelamento e degelo também podem comprometer a coesão das partículas de terra e rocha. Esse fenômeno reduz a “aderência” do solo, tornando-o granular e frágil. Curiosamente, esses processos não são exclusivos da Terra, tendo sido observados recentemente em crateras no planeta Marte.
Ações humanas, como a mineração e a urbanização desordenada, frequentemente exacerbam esses riscos geológicos. Até mesmo a remoção de vegetação nativa, muitas vezes vista como limpeza, retira as raízes que funcionam como uma rede de proteção, deixando o terreno vulnerável e propenso a falhas.
Em contextos vulcânicos, a situação se torna ainda mais perigosa devido à composição instável das montanhas. O acúmulo de camadas de lava e detritos fragmentados cria zonas de falha que podem se mover com frequência, especialmente quando submetidas a pressões internas de magma ascendente.
O despertar violento do Monte Santa Helena
O recorde mundial de maior deslizamento ocorreu durante a erupção do Monte Santa Helena, em 1980. Na ocasião, um terremoto de magnitude superior a 5 desencadeou uma avalanche de detritos massiva, que removeu instantaneamente a pressão que continha o sistema hidrotérmico e o magma sob o vulcão.

A retirada da lateral da montanha teve o efeito de “puxar a rolha de uma garrafa de refrigerante severamente agitada”, conforme descreve a NOAA. Esse alívio de pressão permitiu que a água superaquecida se transformasse em vapor, gerando uma explosão lateral que devastou quilômetros de florestas.
O deslocamento de terra alcançou um volume impressionante de 2,5 quilômetros cúbicos, movendo-se a velocidades de até 80 metros por segundo. Para efeito de comparação, essa massa de detritos equivale a cerca de mil Grandes Pirâmides de Gizé descendo a montanha em um fluxo imparável e mortal.
A química e a geologia dos vulcões
Vulcões são locais propícios para grandes desastres devido à sua altura e instabilidade estrutural. Segundo o Serviço Geológico Americano (USGS), o magma libera gases que dissolvem minerais, transformando rochas duras em argila frágil e propensa a deslizes.
Esses eventos podem se transformar em lahars, que são fluxos violentos de lama e detritos com consistência de cimento úmido. Essas correntes podem percorrer centenas de quilômetros em poucas horas, soterrando tudo o que encontram pelo caminho com uma força mecânica absolutamente devastadora.
Um deslizamento vulcânico pode, ironicamente, desencadear novas erupções ao expor o sistema magmático interno. A remoção de grande parte do cone vulcânico gera explosões que variam de pequenos jatos de vapor a explosões dirigidas de magma, conhecidas como erupções plinianas de longa duração.
Impactos que ecoam no tempo
O desastre de 1980 em Washington não apenas destruiu a fauna e a flora locais, mas também causou mortes por asfixia. A explosão lateral viajou a incríveis 1.072 quilômetros por hora, deixando a área ao redor totalmente estéril e sem vida por um longo período após o evento catastrófico.

A infraestrutura regional foi obliterada pelo avanço da lama e das rochas, que destruíram centenas de casas e dezenas de pontes. Estradas foram varridas do mapa em uma extensão que cobriria dois terços do Grand Canyon, paralisando completamente o transporte e a economia daquela região dos EUA.
Os rios locais, como o Toutle e o Cowlitz, foram severamente impactados pelo volume colossal de sedimentos. O leito do Rio Columbia subiu quase 10 metros, o que interrompeu o tráfego de navios e gerou prejuízos financeiros bilionários que levaram anos para serem parcialmente mitigados pelas autoridades.
Lições aprendidas com a montanha
Quarenta e cinco anos depois, as marcas do deslizamento ainda são visíveis e monitoradas por cientistas. Os rios da região continuam a transportar sedimentos em taxas dezenas de vezes superiores às registradas antes da erupção, desafiando sistemas de proteção contra inundações e a pesca local.
O estudo desse evento histórico permitiu aos geólogos compreender melhor como erupções alteram sistemas fluviais por décadas. O Monte Santa Helena serve como um laboratório vivo, mostrando que a geologia da Terra é dinâmica e capaz de remodelar o mapa em uma escala de tempo humana assustadora.
A vigilância contínua em áreas de risco continua sendo a melhor ferramenta de prevenção contra tais desastres. Compreender a interação entre gravidade, água e atividade vulcânica é essencial para proteger populações que vivem à sombra de gigantes geológicos que podem despertar a qualquer momento.
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