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Ciência

Seneca guns: cientistas investigam sons misteriosos ouvidos no mundo

O sons levam o nome do Lago Seneca, no estado de Nova York, nos EUA. (Shuvaev / Wikimedia Commons).

Seneca guns são uma série de estrondos misteriosos que ocorrem na costa do estados da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, há 150 anos. São estrondos realmente fortes, e alguns chegam a causar vibrações em janelas e edifícios nas cidades próximas.

O fenômeno leva esse nome por causa do Lago Seneca, localizado no estado de Nova York, também nos Estados Unidos. Em 1850, o escritor James Fenimore Cooper relatou em um conto sobre estrondos que ocorriam há séculos nas proximidades do lago. Quando surgiram esses sons na Carolina do Norte, então, receberam o nome do lago. 

“É um som que lembra a explosão de uma pesada peça de artilharia, que não pode ser explicado por nenhuma das leis conhecidas da natureza”, disse o escritor na época, no conto chamado “The Lake Gun”

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“O som é profundo, oco, distante e imponente. O lago parece estar falando com as colinas circundantes, que devolvem os ecos de sua voz em uma resposta precisa. Nenhuma teoria satisfatória jamais foi abordada para explicar esses ruídos”. O autor poetizou um pouco seu relato, já que trata-se de uma obra literária. 

Mas desde que ocorrem, não se sabe sua origem. Portanto, os poderosos estrondos chamam atenção de pesquisadores. Agora, uma equipe de pesquisadores publicou alguns resultados no início de dezembro na American Geophysical Union (AGU), utilizando uma série de dados sísmicos em suas análises.

Buscando por dados

Embora ainda não haja solução, trata-se de um avanço importante na compreensão das Seneca guns. Os pesquisadores compilaram diversos relatos de sons semelhantes – desde relatos de tempestades, terremotos, explosões, exercícios militares, etc. O catálogo que eles criaram mapeia sons registrados desde 2013.

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Então, eles compararam os relatos de sons estranhos com os registros sísmicos do EarthScope Transportable Array (ESTA). O instrumento possui 400 sensores que são realocados em 1700 posições pelos Estados Unidos. Entre 2013 e 2015, os 400 sensores localizavam-se na Carolina do Norte. Por isso, então, os pesquisadores escolheram esse período para analisar. 

Rapidamente, a equipe já descartou a primeira hipótese – terremotos. Embora os estrondos possam causar tremores no solo e em construções, em locais de maior intensidade, os pesquisadores não encontraram nenhuma atividade tectônica correspondente aos inúmeros registros catalogados dos estranhos sons.

O principal papel da primeira etapa foi justamente uma pré-filtragem de hipóteses. Descartar terremotos permite focar em outras possibilidades, e assim, futuramente, encontrar alguma solução. A ciência exige calma e paciência, já que nada aparece por acaso.

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Hipótese para os Seneca Guns

“De um modo geral, acreditamos que este seja um fenômeno atmosférico – não achamos que seja proveniente de atividade sísmica, estamos assumindo que está se propagando pela atmosfera ao invés do solo”, diz ao Live Science Eli Bird, da University of North Carolina, um dos responsáveis pelo estudo. “Os dados em que mais me concentrei neste projeto são dados de infra-sons, em vez de sísmicos”.

Sabemos que a atmosfera produz poderosos sons, e que muitas vezes tremem até as paredes, pois isso é rotineiro. Um exemplo clássico, principalmente nas zonas tropicais e subtropicais do Brasil, são os trovões. Quando um raio cai, aquece bruscamente um trecho de ar. O ar, então, se expande, gerando o som do trovão. Alguns trovões são fortes o suficiente para causar tremores nas janelas e paredes das casas. 

Os Seneca Guns são diferentes de trovões. Utilizei-os como exemplo apenas para demonstrar como o ar também cria sons estranhos.

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Um meteoro que explodiu recentemente sobre o Mar da Tasmânia.(CSIRO).

Uma das hipóteses na mesa considera rochas do espaço quebrando na atmosfera. Todos os dias, inúmeros fragmentos de asteroides e cometas entram na atmosfera da Terra – algumas vezes tão grandes que causam lindas explosões (mas perigosas, quando ocorrem perto de cidades).

Outras hipóteses para os sons consideram a quebra de ondas distantes no oceano, ignição de bolsões naturais de metano, jatos militares quebrando a barreira do som (mas 150 anos atrás os jatos não existiam). Ou seja, tudo permanece no mistério.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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