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Rinoceronte-lanudo foi a última refeição deste filhote de 14.000 anos

Fonte: © Sergej Fedorov

Durante a realização de uma necrópsia dos restos corpóreos de um filhote mumificado, os pesquisadores responsáveis pelo procedimento encontraram algo inusitado. Dentro do estômago, havia um pequeno pedaço de pele que não foi digerido.

A princípio, a hipótese dos pesquisadores era que, antes morrer devido a última era glacial na qual o filhote vivia, ele tinha feito uma última refeição. No entanto, o esperado era obter, por meio das análises de DNA, um código genético pertencente a algum leão das cavernas (Panthera spelaea) ou um animal menor. Porém, a pele encontrada pertencia a um rinoceronte-lanudo (Coelodonta antiquitatis), provavelmente um dos últimos da sua espécie naquele período.

Science, https://science.sciencemag.org/content/333/6047/1199.1

Reconstituição de um rinoceronte-lanudo. (Imagem: Julie Naylor / Science)

Restos de rinoceronte-lanudo são encontrados após sua extinção

Recentemente, foi publicado um artigo acerca da extinção dessa espécie de rinocerontes na revista Current Biology. Os restos mumificados do filhote foram encontrados em 2011, na zona rural da Sibéria, em Tumat. No entanto, mesmo após tantos anos, os cientistas ainda não conseguiram identificar se ele era um lobo ou um cachorro.

As análises somente revelaram que o animal, tinha uma idade entre 3 a 9 meses quando encontrou seu fim. Um caso semelhante aconteceu em 2018, quando pesquisadores encontraram um filhote de cachorro datado de 18 mil anos atrás.

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A mumificação do filhote se deu de forma natural, devido ao ambiente no qual ele estava inserido. Assim, a região siberiana possui locais conhecidos como permafrost, um tipo de solo composto por rochas, terra e gelo.

Para saber a origem e os motivos da existência da pele do rinoceronte-lanudo ter sido preservada, os pesquisadores realizaram o procedimento de datação por radiocarbono.

Live Science, https://www.livescience.com/ice-age-puppy-ate-woolly-rhino.html

Essa técnica revelou que o corpo encontrado em Tumat, era de 14 mil anos atrás. O mesmo procedimento foi feito com a pele encontrada no estômago do animal. Para Edana Lord, estudante de doutorado no Centro de Paleogenética na Suécia, e coautora do trabalho publicado na Current Biology, existem 2 hipóteses a ser levadas em consideração.

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“Ou este cachorro pode ter pertencido a uma matilha e os canídeo derrubaram o rinoceronte, ou estavam procurando por comida e encontraram uma carcaça do animal”. Em contrapartida, esse filhote poderia ter sido domesticado e conviver com os humanos, assim, seria alimentado por eles em algum momento.

Evidências encontradas após as análises de DNA

As análises feitas também evidenciaram que, após ingerir fragmentos do rinoceronte-lanudo, o filhote faleceu, mas a causa de sua morte ainda não ficou clara.

Vale ressaltar que a causa por trás da extinção dessa espécie de rinocerontes está ligada a mudança de temperatura na última era do gelo, e não devido a matilha ou alcateia. Para tentar descobrir os motivos da extinção, os pesquisadores realizaram o sequenciamento de 14 genomas mitocondriais presentes nos restos encontrados no estômago do filhote.

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Live Science, https://www.livescience.com/ice-age-puppy-ate-woolly-rhino.html

Os resultados evidenciaram que, naquele momento, há 14 mil anos atrás, a população de rinocerontes dessa espécie era estável e que possuíam uma grande diversidade. Assim, uma hipótese descartada para a aniquilação dessa espécie da Terra, não pode ser atribuída a endogamia, prática de acasalamento entre indivíduos pertencentes a uma família, geneticamente, semelhante.

As análises no DNA do rinoceronte-lanudo, também revelaram que essa espécie sofreu algumas mutações genéticas para sobreviver ao frio intenso. Com o desenvolvimento de uma pelagem mais espessa, a espécie não conseguiu se adaptar ao aumento das temperaturas. Seus pelos os protegiam do frio, no entanto, com a chegada do aquecimento, sua morfologia não estava preparada para sobreviver.

Com informações da Live Science.

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Ruth Rodrigues
Publicado por

Bióloga de formação, mas divulgadora científica de coração. Escreve sobre o mundo das ciências para o SoCientífica.


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