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Planeta & Ambiente

Pré-incas transformaram o deserto mais seco do mundo em área fértil

Deserto mais seco do mundo - atacama
Deserto do Atacama. (Pixabay)

O deserto do Atacama é o deserto mais seco do mundo, semelhante a Marte. No entanto, evidências arqueológicas mostram que essa região hiperárida apoiou a agricultura milhares de anos atrás. As colheitas do local permitiram alimentar as tribos dos povos pré-incas que viveram ao seu entorno.

“A transição para a agricultura começou aqui por volta de 1000 AEC. e, em última instância, apoiou as aldeias permanentes e grandes porções da população da região”, escreveu a equipe de cientistas liderada pelo bioarqueólogo Francisco Santana-Sagredo, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, em um novo estudo.

Agricultura no deserto mais seco do mundo?

Já se sabia que o uso de antigas técnicas de irrigação pode ter feito parte dessa façanha, mas a disponibilidade de água por si só não seria o único pré-requisito para um sistema agrícola de sucesso no Deserto do Atacama.

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Com base em pesquisas anteriores feitas por parte da mesma equipe – analisando isótopos químicos preservados em ossos humanos e restos de dentes de povos pré-incas — os pesquisadores sugeriram que a fertilização contribuiu muito para o crescimento das plantações.

Um total de 246 plantas antigas foram analisadas — amostras bem preservadas devido à aridez do Atacama –, incluindo milho, pimenta, abóbora, feijão e quinua. Usando dados de datação por radiocarbono, bem como testes de composição isotópica, os cientistas viram um aumento dramático nos isótopos de nitrogênio começando por volta de 1000 EC.

Entre as plantas testadas, o maior teor de nitrogênio foi o milho, que por volta de 1000 EC tornou-se o alimento plantado mais consumido na região. 

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Excrementos de pássaros

De acordo com os pesquisadores, a explicação mais plausível para o salto nos valores de nitrogênio são os excrementos de pássaros antigos conhecidos como guano, que eram usados ​​como fertilizantes no passado.

Embora a capacidade do fertilizante pudesse levar a agricultura no deserto a outro nível, obter o excremento não era uma tarefa fácil ou aprazível.

“Antes [1000 EC], a população pode ter usado outros tipos de fertilizantes locais, como esterco de lhama, mas a introdução do guano, acreditamos, causou uma intensificação significativa das práticas agrícolas, o que levou a um aumento na produção, especialmente do milho, que rapidamente se tornou um dos principais alimentos da humanidade”, explicaram os pesquisadores.

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Tradutor e escritor freelancer, é divulgador científico na SoCientífica desde 2018. Nela, escreve sobre temas que dão faísca à imaginação do leitor, de tubarões e fantasmas a quasares.

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