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Ciência

Os desertos do Saara e do Sahel têm mais árvores do que se pensava

(Pinterest)

Os desertos do Sahel e do Saara são comumente conhecidos como ambientes estéreis, paisagens pouco verdes. Mas, de forma surpreendente, dados revelaram que os desertos do Sahel e do Saara têm mais vegetação do que aparentam.

Mais árvores do que se imaginava

Imagens de satélite se combinaram com aprendizagem profunda – ou Deep Learning – para revelar que a situação nos desertos é diferente do que imaginávamos.

De fato, existem cerca de 1,8 bilhão de árvores nos desertos do Saara e do Sahel na África Ocidental e na zona sub úmida. De acordo com os pesquisadores, a descoberta subverteu as crenças sobre esses habitats. Eles ficaram realmente surpresos com a quantidade de árvores crescendo no deserto do Saara. O professor da Universidade de Copenhague, Martin Brandt, disse que a quantidade de árvores encontrada é maior do que eles imaginavam.

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“Certamente existem vastas áreas sem vegetação, mas ainda existem áreas com alta densidade de árvores e entre as dunas de areia há algumas árvores crescendo”, disse Martin Brandt.

Como eles contaram tantas árvores

Encontrar e contar as árvores individuais, em áreas vastas de território, é uma tarefa extremamente difícil. Em áreas com muitas árvores, grossos aglomerados de vegetação são facilmente distinguíveis da terra seca. Mas nas áreas onde as árvores estão mais espalhadas, as imagens de satélite podem não ter resolução o suficiente para detectar árvores isoladas.

A solução encontrada pela equipe foi inteligente. Eles utilizaram um método de machine learning, a aprendizagem profunda, que faz com que as máquinas interpretem dados de uma maneira mais semelhante ao homem. Isso acontece então por meio de um algoritmo de treinamento da máquina; esse método inclusive é a base para o Google Tradutor e para a Cortana, por exemplo.

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Mas deu muito mais trabalho do que parece. O processo de treinamento, que contou quase 90 000 árvores, demorou um ano para terminar.

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“Valeu a pena o esforço. Permitiu que o que levaria milhões de pessoas e muitos anos de trabalho fosse computado em apenas algumas horas”, disse Martin Brandt.

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Ainda mais, o detalhamento é muito alto, pois o modelo deveria identificar os tipos de árvores em diferentes paisagens. Segundo o professor Brandt, classificações errôneas de árvores não poderiam acontecer. Depois do fim do treinamento, o programa já está então pronto para rodar, levando apenas algumas horas para dar o resultado.

Importância do estudo para o combate ao desmatamento

Os pesquisadores ainda acreditam que em breve será possível mapear a localização e o tamanho de cada árvore em todo o mundo. As informações precisas sobre a vegetação em desertos e outras zonas áridas são muito importantes para compreensão da ecologia em escala global, biogeografia e os ciclos de carbono, da água e de outros nutrientes.

Esses dados, por fim, podem ajudar nos esforços para combater o desmatamento. Para a preservação e restauração com a mudança climática, dados como este são muito importantes para estabelecer uma linha de base. Em alguns anos, o estudo pode ser repetido para verificar se as medidas para reduzir o desmatamento estão trazendo resultados ou não.

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Matheus Gouveia é formado em Engenharia Elétrica e apaixonado por ciência e tecnologia. Atualmente é redator da SoCientífica e autor do blog "DoCaramba!".

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