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Ciência

Plantas evoluíram camuflagens anti-humanos para sobreviver

Plantas da espéci Fritillaria com diferentes fenótipos. A diferença pode ser por causa da pressão evolutiva criada pelos humanos. (Y. Niu)

Muitas plantas que crescem nas cordilheiras de montanhas da China acabam usadas para a medicina tradicional. Há mais de 2000 anos pessoas usam essas plantas para fazer chás e farinhas. No entanto, novos estudos indicam que as plantas Fritillaria podem ter evoluído camuflagens para escapar dos seres humanos.

As Fritillaria geralmente têm um tom de verde claro bastante fácil de achar. Contudo, algumas plantas podem ter uma cor mais para cinza. Essas últimas conseguem se camuflar nas rochas das encostas. Assim elas passam despercebidas enquanto suas parentes mais vibrantes acabam numa chaleira.

(imagem por: Y. NIU)

Os pesquisadores acreditam que a alta demanda dessa planta pode ter selecionado aquelas que se camuflam melhor. Visualmente, faz bastante sentido. Isso porque as plantas cinzas ficam praticamente da mesma cor que as pedras ao redor. Dessa forma elas acabam não sendo coletadas. Ao longo das gerações, as plantas cinza vão estar em maior número que as verdes.

Entre mariposas e plantas

Se você já teve uma aula de biologia, é provável que já ouviu falar das mariposas Biston betularias. Essa espécie comum no Reino Unido pode ter duas formas: de cor branca ou preta. Até mais ou menos 1930, as mariposas claras eram mais abundantes. Isso pois elas se camuflavam melhor no ambiente. Contudo, a partir da Revolução Industrial, as cidades começaram a ficar cheias de fuligem das fábricas. Isso deixou os ambientes mais escuros. As mariposas pretas, então, podiam se camuflar melhor dos predadores.

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(Imagem de Ian Lindsay por Pixabay)

Esse é um clássico exemplo da seleção natural acontecendo. O que pode estar se passando com as plantas Fritillaria, aliás, é similar. Nessa espécie pode estar também acontecendo um tipo de seleção, só que artificial. Isso porque são os seres humanos que estão selecionando as plantas há alguns séculos.

Vale lembrar que quando um organismo é mais predado (ou colhido, no caso das Fritillaria), ele tende a ter menos descendentes. Assim, a população menos adaptada ao ambiente diminui ao longo do tempo, até a estabilidade ou a extinção. Desse modo, conforme as pessoas colhiam as plantas claras, as cinzas tiveram mais espaço e recursos, além de menos predadores, para se desenvolver.

Como determinar as camuflagens das plantas

Para propor essa ideia os pesquisadores avaliaram o número de plantas em diversos locais. Alguns dos lugares tinham coleta mais intensa, outros não. Dessa forma foi possível comparar o número de plantas verdes e cinzas. O resultado, aliás, foi bastante conclusivo. Isso porque nos locais onde há mais coleta de plantas, o número de Fritillaria da cor cinza é maior.

“[O estudo] é um bom primeiro passo para demonstrar que humanos parecem estar direcionando uma rápida evolução da camuflagem dessa espécie,” afirma Julien Renoult, que não participou do estudo. Todavia, ele é biólogo do Centro Nacional Francês para pesquisa científica em Montpellier.

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Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmaram que seriam necessários ainda mais dados para estudos futuros. Isso porque as informações sobre os fenótipos das plantas coletadas são quase nulos. Todavia, foi possível avaliar dados locais da quantidade de plantas colhidas. Isso ajudou os cientistas a medir a pressão seletiva.

Apesar da estratégia das Fritillaria, ainda não se sabe o efeito das camuflagens para as plantas. Isso porque uma planta camuflada também pode ser difícil para polinizadores encontrarem. Entretanto, o estudo ainda é uma clara evidência de evolução acontecendo – por causa dos humanos, inclusive. Um prato cheio para Charles Darwin.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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