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Nova imagem do famoso buraco negro revela seu campo magnético giratório

campo magnético de um buraco negro
campo magnético de um buraco negro com luz polarizada. Fonte: EHT / ESO

Em abril de 2019, houve um evento marcante na história da ciência, que comprovou o que Albert Einstein previu ao criar a Teoria da Relatividade Geral: a primeira fotografia de um buraco negro. No entanto, a imagem capturada pelo projeto Event Horizon Telescope (EHT) não estava nítida o suficiente. E somente agora, cerca de 1 ano depois, é que os cientistas fizeram a adição de luz polarizada para melhorar a qualidade e percepção dos campos magnéticos.

Através dessa imagem, será possível estudar mais profundamente, como essa região consegue emitir um jato de luz e matérias por mais de 5 mil anos-luz no espaço. Após adicionar luz polarizada na imagem obtida anteriormente, possibilitou que os pesquisadores estudassem melhor os campos magnéticos que estão presentes ao redor do buraco negro.

A importância da luz polarizada na imagem do buraco negro

O Messier 87 (M87) está localizado em uma galáxia gigante, que fica a 55 milhões de anos-luz. A imagem só fora capturada graças a união de um conjunto de 8 telescópios poderosos, que juntos formam uma rede de radiotelescópios espalhados ao redor do globo terrestre. Segundo Sara Issaoun, membro da equipe EHT da Radboud University, não havia muitas informações precisas até o momento da captura.

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Com a imagem, os cientistas buscaram analisar e tentar desvendar os mistérios que rondam essa poderosa região. No total, a luz polarizada correspondia em torno de 1% a 3% do buraco. Entretanto, após realizarem mais análises, ficou perceptível que a porcentagem era maior, onde a luz englobava em média de 20% do anel brilhante.

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Mesmo após a imagem ter sido capturada, os pesquisadores ainda possuíam certa dificuldade para analisá-la. Portanto, fora a luz polarizada a peça chave para desvendar alguns mistérios que envolviam o campo magnético. Graças aos elétrons presentes na região, bem como a luz polarizada próxima, a equipe do EHT descobriu que a força do campo magnético equivale, aproximadamente, a 1 e 30 gauss.

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Polarização do buraco negro e dos jatos de M87 com uma comparação com as escalas e os diferentes observatórios usados ​​para estudar essas regiões. Crédito de imagem: Colaboração EHT; ALMA (ESO / NAOJ / NRAO), Goddi et al .; NASA, ESA e o Hubble Heritage Team (STScI / AURA); VLBA (NRAO), Kravchenko et al .; JC Algaba, I. Martí-Vidal

Ou seja, essa região é 50 vezes mais forte que o campo magnético presente ao redor do planeta Terra. Além disso, de acordo com Issaoun, “a luz polarizada tem essas voltas curvas como uma espiral, isso nos diz que o campo magnético ao redor do buraco negro é ordenado”. Caso não houvesse esse campo, os jatos de matérias seriam lançados de forma aleatória, porém, tal hipótese ainda está sendo estudada pelos astrofísicos.

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No total, foram projetados 120 modelos teóricos diferentes, dentre os quais foram favoráveis, apenas 15. Esses quinzes modelos demonstram que o campo magnético desvia matérias do próprio buraco negro, para que esse não seja alimentado, resultando no lançamento de jatos, que podem alcançar galáxias próximas, de tão poderosos.

Para Jason Dexter, coordenador do EHT, “devemos ser cautelosos, mas é um sinal interessante de que talvez os campos magnéticos desempenhem um papel ativo no crescimento do buraco negro e no lançamento de jatos”.

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Com informações da New Scientist, Live Science, IFL Science e artigo publicado no The Astrophysical Journal Letters

Ruth Rodrigues
Publicado por

Bióloga de formação, mas divulgadora científica de coração. Escreve sobre o mundo das ciências para o SoCientífica.

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