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Pesquisadores finalmente classificaram este crocodilo com chifres a partir de análises do DNA mitocondrial. Imagem: M. Ellison/AMNH

Plantas & Animais

Cientistas classificaram este crocodilo com chifres

Entre 9 e 2 mil anos atrás, diversos grupos de seres humanos chegaram à ilha de Madagascar. Esses povos nativos conviveram, por conseguinte, com duas espécies de crocodilos. Uma menor e mais restrita a pequenos rios, que mais tarde se mostrou sendo o crocodilo do Nilo (Crocodylus niloticus), e outra mais robusta – uma espécie de crocodilo com chifres que permaneceu sem classificação por mais de 150 anos. Contudo, isso acaba de mudar.

Pesquisadores finalmente conseguiram classificar esses crocodilos com chifres extintos a quase 2 mil anos. Os Voay robustus eram animais maiores ainda que os crocodilos do Nilo e possuíam dois nodos em suas cabeças que lembram um par de chifres. Contudo, pesquisadores estavam em dúvida sobre onde colocar esse animal na árvore da vida: perto dos crocodilos reais ou dos crocodilos-anões.

Assim, um estudo dirigido por pesquisadores do Museu Americano de História Natural analisou o DNA resgatado de dois crânios conservados desses animais, coletados entre 1927 e 1930.

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Crocodilo do Nilo. Imagem: miniformat65/Pixabay

Analisando então o genoma desses répteis com chifres, os pesquisadores puderam colocá-los mais próximos aos crocodilos modernos. De acordo com o estudo, os V. robustus devem ter evoluído em torno de 25 mil anos atrás e foram extintos provavelmente pela presença humana.

Dificuldade em classificar crocodilos, não pelos chifres

Apesar de um crocodilo com chifres sr um bicho bizarro, não é isso que dificulta a classificação desses animais. Acontece que esses reptilianos mudaram muito pouco ao longo de milhões de anos de evolução. Ou seja, os crocodilos modernos ainda são muito parecidos com os seus ancestrais mais antigos.

Para contornar isso, os autores do estudo analisaram o DNA mitocondrial, dificultosamente extraído dos crânios dos animais. Esse tipo de DNA, como o nome diz, está presente nas mitocôndrias e se transmite da mãe para o filho. O mais importante, contudo, é que esse material genético sofre poucas mutações em comparação com o DNA do núcleo, possibilitando uma análise mais purista.

Desde a coleta dos fósseis, quase cem anos atrás, pesquisadores vêm tentando encaixar esses crocodilos com chifres em algum lugar plausível na árvore da vida. Finalmente esses animais receberam um lugar ao lado dos crocodilos modernos, conquanto como uma espécie extinta.

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Os V. robustus, vale lembrar, são apenas um exemplo dos grandes animais de Madagascar extintos pela ação humana. Hipopótamos anões, pássaros elefantes e incontáveis espécies de lêmures também têm seus nomes na lápide da caça e perda de hábitat.

O artigo está disponível no periódico Communications Biology.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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