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Ciência

Filhote de lobo mumificado descoberto por mineradores no Canadá

(Governo de Yukon)

O permafrost é um tipo de solo comum na maior parte da região do Ártico, onde o solo fica congelado permanentemente – como o nome sugere. Nesse ambiente, mineradores fizeram uma descoberta estranha no ano de 2016: um filhote de lobo morto, no meio dos resíduos da mineração. Análises posteriores mostraram que não só o animal era bastante antigo mas como também estava extremamente conservado, com tecidos como pelos e cartilagem ainda intactos. O artigo relatando a descoberta foi publicado no periódico Current Biology no dia 21 de dezembro de 2020.

(Governo de Yukon)

Fósseis do permafrost

Pelo fato da região estar constantemente congelada, o permafrost é uma fonte de muitos fósseis bem conservados da megafauna Ártica. Nesse sentido, o que surpreendeu os pesquisadores encarregados foi o estado de conservação do filhote de lobo. Julie Meachen, a principal autora do estudo afirma que esse é o espécime mais completo de lobo já descoberto. De fato, a maior parte da pele, pelos e tecidos moles – incluindo o focinho – do animal ficaram conservados pelas temperaturas negativas do permafrost. Isso abriu caminho para que os pesquisadores pudessem realizar diversos estudos anatômicos e bioquímicos do animal. Isso, portanto, permitiu uma análise bastante profunda do estilo de vida desses caninos e mesmo da alimentação do filhote de lobo.

(Imagem de Florence D. por Pixabay)

O animal, aliás, era uma fêmea com menos de 8 semanas de idade, que provavelmente ficou presa na sua toca e acabou morrendo por esse motivo. Os cientistas sugeriram que o resto dos filhotes e outros integrantes da matilha estavam fora do covil no momento do desmoronamento, o que justifica a falta de outros fósseis. A análise identificou também que o filhote, tendo 57.000 anos de idade, pertence a um grupo ancestral de lobos-cinzentos (Canis lupus). Contudo, investigações mostraram que o filhote se alimentava principalmente de peixe, diferentemente de lobos modernos que não buscam alimentos nos rios tão frequentemente.

A descoberta inesperada do filhote de lobo

Neil Loveless estava em uma de suas expedições de mineração em busca de ouro. A mineração de placer (do inglês: placer mining) funciona por meio da lavagem do solo pelo escoamento da água e é um método alternativo ao uso de explosões ou componentes químicos na mineração. Geralmente, por conseguinte, os mineradores da região estão atentos para a presença de fósseis na região de mineração, o que não foi diferente para Loveless. O minerador encontrou, em meio a detritos retirados do solo, uma pequena massa que parecia diferente do resto da lama. Neil então chamou paleontologistas da região que prontamente identificaram que aquele era um fóssil bastante antigo e em um estado de conservação impressionante.

(Imagem de Sharon Ang por Pixabay)

A filhote de lobo recebeu o nome de Zhùr (lobo, na língua tradicional local) e o genoma do animal confirmou divergências genéticas das populações de lobos cinzentos que habitam a região do Canadá. Na verdade, a filhote possui o DNA semelhante a um grupo de lobos-cinzentos que habitou a região entre 90 e 60 mil anos atrás. Isso sugere que a população desses animais pode ter se reduzido de forma drástica em algum momento da pré-história. Esse tipo de descoberta vem aumentando nos últimos anos, principalmente devido ao aquecimento global, que está causando o derretimento precoce das regiões árticas.

O artigo está disponível no periódico Current Biology.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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