Engenharia
Mapa de 1901 mostra os cabos submarinos que deram origem ao sistema de comunicação moderna

Há mais de um século, os cabos submarinos transportam uma quantidade absurda de dados. Embora eles sejam subestimados, são o alicerce da comunicação mundial. Tendo isso em vista, a tecnologia tem contribuído para o desenvolvimento dessa estrutura vital para a sociedade, corroborando com a sua importância, mesmo na era digital.
Conceito antigo
A origem dos cabos de comunicação submarinos remonta ao início do século XIX. Com a invenção do telégrafo funcional em 1839, a ideia de instalar uma linha telegráfica debaixo d’água começou a ganhar força.
Em 1842, Samuel Morse, o inventor do código Morse, realizou um experimento significativo ao submergir um fio isolado com cânhamo alcatroado e borracha indiana no porto de Nova York, conseguindo telegrafar com êxito através dele.
Foi uma verdadeira revolução. A era das cartas e das longas esperas acabou, substituída por uma comunicação instantânea. Contudo, desenvolver a tecnologia necessária para criar esses cabos, capazes de suportar as profundezas oceânicas e resistir aos desafios impostos pela natureza, não foi uma tarefa simples.
O segredo do sucesso residia em encontrar um isolante eficiente que impedisse a corrente elétrica de se dispersar na água. A solução surgiu com a introdução da guta-percha, um látex natural proveniente da árvore Palaquium gutta.
Reconhecendo seu imenso potencial, cientistas renomados como Michael Faraday e Charles Wheatstone logo perceberam que a guta-percha poderia servir como um excelente isolante para cabos subaquáticos.
Esta descoberta crucial marcou o início da era dos cabos de comunicação submarinos, possibilitando a comunicação instantânea entre continentes e transformando para sempre a forma como o mundo se conectava.
Os primeiros cabos subaquáticos para o comércio
As primeiras iniciativas comerciais para instalar cabos submarinos começaram na metade do século XIX. Em agosto de 1850, John Watkins Brett e sua English Channel Submarine Telegraph Company tentaram pela primeira vez lançar um cabo através do Canal da Mancha, mas não foi bem sucedido por conta do material.
Em 1851, a Submarine Telegraph Company obteve sucesso ao instalar um cabo protegido entre Dover e Calais, marcando o início de uma série de empreendimentos bem-sucedidos. Em 1853, cabos submarinos já conectavam a Grã-Bretanha com a Irlanda, Bélgica e Países Baixos, criando redes de telecomunicação vitais.
No entanto, essas distâncias eram relativamente pequenas quando comparadas ao tamanho do planeta. O verdadeiro desafio surgiu com a necessidade de estabelecer os primeiros cabos transatlânticos, ligando a Europa à América do Norte. Esta tarefa colossal exigiu inovações significativas em tecnologia e engenharia para superar a vasta extensão do Atlântico e enfrentar as condições adversas encontradas no fundo do oceano.
Cabos submarinos modernos: a chegada da fibra ótica
Os primeiros cabos submarinos utilizavam fios de cobre em seus núcleos para transmitir dados, mas a tecnologia evoluiu significativamente ao longo do tempo. Hoje, os cabos modernos utilizam fibra óptica para transportar dados digitais, incluindo telefonia, internet e tráfego de dados privados.
Em 1988, foi instalado o TAT-8, o primeiro cabo transatlântico de fibra óptica, capaz de fornecer 40.000 canais telefônicos. A fibra óptica trouxe um aumento notável na largura de banda e reduziu consideravelmente as perdas de transmissão em comparação com os cabos coaxiais. Esse avanço tecnológico foi fundamental para o crescimento explosivo da internet global e da comunicação de dados.
Projetados para resistir às condições adversas das profundezas oceânicas, esses cabos têm uma vida útil superior a 25 anos e são capazes de transportar vastas quantidades de dados digitais, incluindo tráfego de internet, chamadas telefônicas e transmissões de dados privadas.
É impressionante notar a importância contínua desses cabos submarinos e o quão avançado esse sistema já estava há mais de 100 anos. Ao longo de sua história, os cabos submarinos enfrentaram diversos desafios, desde ataques de vida marinha, como vermes e tubarões, até condições ambientais severas, como tempestades e movimentos das marés. É evidente que diversas melhorias nos materiais e no design dos cabos mitigaram muitos desses problemas, tornando os cabos modernos muito mais duráveis.