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Estudos indicam que humanos eram super predadores

Caçadores-coletores do período neolítico.

Os primeiros seres humanos eram caçadores-coletores. Há mais ou menos 2 milhões de anos, os Homo sapiens se organizavam em pequenas tribos nômades que se alimentavam de vegetais e frutas (coleta) e de grandes animais esporadicamente (caça). Contudo, novos estudos da Universidade de Tel Aviv mostram que a caça pode ter sido muito mais frequente do que se imaginava. O artigo indica que os humanos podem ter sido super predadores durante o Pleistoceno.

Entre mais ou menos 2,5 milhões e 12 mil anos atrás, a Terra estava passando uma era do gelo. Durante esse período, uma grande variedade de grandes animais, mamíferos sobretudo, habitavam o planeta. Mamutes, dentes-de-sabre e mastodontes são apenas alguns dos exemplos mais clássicos.

Nesse sentido, após uma extensa análise de mais de 400 artigos, os pesquisadores encontraram evidências que sugerem que os Homo sapiens na verdade eram predadores de topo de cadeia, frequentemente caçando grandes animais.

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Uma das evidências para a hipótese, por exemplo, é a acidez do estômago dos seres humanos. O ácido clorídrico, presente nos nossos estômagos, apresenta um PH de aproximadamente 1,5. Esse valor é suficiente para exterminar a maioria dos microrganismos que passam por esse trecho do sistema digestório. Contudo, uma acidez tão elevada indica que os humanos provavelmente comiam carne frequentemente e, por vezes, carne de vários dias.

Outros animais hiper-carnívoros, como leões e lobos também apresentam uma acidez estomacal elevada, justamente para evitar infecções transmitidas pela carne de animais abatidos.

De predadores a agricultores

Há mais ou menos 12 mil anos, no fim do Pleistoceno, os H. sapiens desenvolveram a agricultura e a pecuária. Com algumas plantas e animais domesticados, nossos ancestrais puderam se fixar em certas regiões, como o Crescente Fértil no Oriente Médio.

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A partir daí, a dieta dos seres humanos passou a se basear principalmente em cereais e carboidratos de forma geral.

Os autores também produziram uma série de análises em resíduos arqueológicos nos dentes e ossos dos humanos do pleistoceno. Os resultados mostraram certas indicações de um maior consumo de carne de forma regular.

Dr. Miki Ben Dor

Apesar disso, assim como os autores ressaltam, a evolução muda lentamente, e o comportamento humano muda de forma mais rápida. A partir de resquícios genéticos e anatômicos, portanto, é possível observar uma correlação forte entre o maior consumo de carne nos períodos pré-agricultura.

Vale lembrar que o Pleistoceno foi uma época de abundância da megafauna, e as fontes de proteína animal eram abundantes. O mundo moderno não sustenta as mesmas características de 2 milhões de anos atrás, bem como nós humanos.

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O artigo está disponível no periódico American Journal of Physical Anthropology.

Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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