Fósseis de dezenas de dinossauros mostram a evidência mais antiga de formação de bandos

Mateus Marchetto
Imagem: Jorge Gonzalez/Reuters

Pesquisadores descobriram na Patagônia, ao menos 180 fósseis de dinossauros das mais variadas idades, desde embriões até adultos. Tudo isso em uma área de em torno de 1km quadrado, datando de 193 milhões de anos. Esses fósseis revelam, portanto, a evidência mais antiga de formação de bandos em dinossauros.

Os Mussaurus patagonicus eram dinossauros do tamanho de um hipopótamo, com pescoços longos e caudas compridas. Pertencentes do grupo dos sauropodomorfos, estes animais foram os ancestrais dos grandes saurópodes que se tornaram os maiores animais terrestres do planeta.

De acordo com uma pesquisa que estudou os fósseis citados na introdução, publicada na revista Scientific Reports, estes dinossauros podem ter sido alguns dos primeiros a desenvolverem a formação de bandos, quase 40 milhões de anos mais cedo do que se imaginava.

Segundo a pesquisa, o sítio de escavação continha 100 ovos fossilizados, além de 80 fósseis de indivíduos adultos diferentes. Ao todo, foram ao menos 6 estágios da vida dos dinossauros encontrados em diferentes fósseis.

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Ilustração do bando de M. patagonicus. Imagem: Jorge Gonzalez/Reuters

“Eu diria que esta é uma das principais descobertas paleontológicas do ano, “afirma o especialista Michael D’Emic ao Live Science. “É tão animador ter tantos indivíduos de uma espécie, de embriões a adultos.”

A espécie dos M. patagonicus viveu no período Triássico, entre 252 e 201 milhões de anos atrás. Apesar das descobertas de grande valor científico, é possível que a formação de bandos nesse caso tenha acabado de forma trágica. Como mostra a pesquisa, a maioria dos dinossauros do bando provavelmente morreram por conta de uma seca.

“Nós sabemos que esse lugar era sazonal, e há indicações de secas no sedimento,” afirma Diego Pol, coautor da pesquisa, também ao LiveScience.

Formação de bandos e dinossauros gigantes

Os saurópodes citados anteriormente foram o grupo de dinossauros gigantes de pescoços compridos que podiam atingir mais de 100 toneladas, como é o caso do argentinossauro. Ao que tudo indica, estes dinossauros – que surgiram depois do M. patagonicus e semelhantes – já viviam em bandos e dependiam disso para sobreviver.

Filhotes de saurópodes e sauropodomorfos precisavam crescer a taxas absurdas nos seus primeiros anos de vida, uma vez que seus ovos eram bastante pequenos. Portanto, a proteção pela formação de bandos pode ter sido uma chave evolutiva para o sucesso posterior dos gigantes de pescoço comprido.

Pesquisadores encontraram os ovos de M. patagonicus, ademais, agrupados em aglomerados de 8 a 30 ovos. Estes estavam, no geral, organizados em duas ou três camadas dentro de buracos cavados no chão.

Além do mais, dinossauros de faixas etárias mais próximas, no geral, foram encontrados mais próximos no sítio de escavação. Isso sugere, por conseguinte, que os animais tinham uma preferência e separação dentro do próprio bando. A área da descoberta pode ter sido uma região de reprodução e criação de filhotes no passado.

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Ovo fossilizado no sítio de escavação. Imagem: Roger Smith/Reuters

Assim, a formação de bandos e a colaboração entre os indivíduos dentro do bando pode ter sido uma fator determinante neste grupo já tão antigo de dinossauros.

Fora essa sítio de escavação, a evidência mais antiga para a formação de bandos de dinossauros tinha a idade de 150 milhões de anos aproximadamente.

A pesquisa está disponível no periódico Scientific Reports.

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