Estudo afirma que ferver água ajuda a eliminar 90% dos microplásticos contidos nela

Mulher fervendo água no fogão de casa. Imagem: Pexels

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, sediada nos Estados Unidos, define como microplásticos as partículas sólidas baseadas em polímeros com comprimento menor que 5 mm. Tais materiais já foram detectados tanto em baleias quanto no nosso próprio sangue. Isso tudo indica que a presença de microplásticos ocorre em níveis preocupantes na água, inclusive engarrafa, e também na atmosfera do planeta.

Nos últimos anos houve avanços significativos nos métodos de detecção de microplásticos, permitindo que cientistas consigam fazer uma avaliação mais precisa de partículas de plásticos em diversos ambientes. Isso os levou a observar que um único litro de água engarrafada pode conter até 240.000 partículas microplásticas. Para os cientistas ainda não está claro o quanto essas partículas afetam a nossa saúde, porém, numa nota positiva, eles também descobriram que ferver água por cinco minutos já ajuda a eliminar a maior parte desses microplásticos.

Como ferver água elimina resíduos microplásticos

Estudo afirma que ferver água ajuda a eliminar 90% dos microplásticos contidos nela
Partícula microplástica dentro de uma citoplasma. Imagem: Wikimedia Commons – CC BY 4.0

O estudo ‘Drinking Boiled Tap Water Reduces Human Intake of Nanoplastics and Microplastics’ foi conduzido por cientistas chineses e publicado recentemente na revista científica Environmental Science and Technology Letters. Os resultados indicam que água da torneira fervida contém 90% menos quantidades de microplásticos potencialmente prejudiciais ao corpo humano.

Apesar da sua detecção nos oceanos, atmosfera, águas engarrafadas e até mesmo nas fezes humanas, ainda existe uma escassez de estudos sobre como os microplásticos impactam na saúde humana. Portanto, as micropartículas de polímeros ainda seguem consideradas como inofensivas, em contrapartida ao poliestireno que já é sabido que, além de matar células humanas, causa uma série de inflamações intestinais e também pode reduzir o nível de fertilidade em roedores como os ratos.

Na sua pesquisa, os cientistas chineses buscavam métodos práticos que poderiam ser utilizados em ambientes domésticos para conseguir remover microplásticos da água potável. Uma das primeiras dúvidas que eles resolveram sanar foi se ferver a água de alguma forma poderia ajudar na diminuição dos níveis de contaminação dela.

Segundo contam os pesquisadores, o hábito de beber água fervida já era uma tradição antiga de muitas culturas de origem asiática. Isso já era considerado supostamente benéfico pois ferver líquidos ajuda a remover diversos produtos químicos além de eliminar boa parte das substâncias biológicas contidas nele. Porém em relação aos NMPs, os nano e micro plásticos, isso ainda não estava claro.

Na sua investigação, os cientistas chineses pegaram três amostras de água de torneira que continham diversos dos minerais mais comuns de se detectar e adicionaram três compostos de microplásticos: o poliestireno, o polietileno e, por último, polipropileno. Eles também buscaram variar na “dureza” da água ajustando as concentrações de carbonato de cálcio. O motivo disso é porque eles levaram em consideração que nos Estados Unidos a água que abastece diversas casas contém um alto teor mineral.

Uma vez que as amostras estavam prontas, os pesquisadores ferveram cada uma por um período de cinco minutos. Depois que esfriaram, os cientistas notaram que houve uma drástica diminuição na concentração de microplásticas. Nas águas mais “duras” essa redução chegou a quase 90% da concentração das partículas. Isso ocorre porque o carbonato de cálcio na água se solidifica quando está em temperaturas mais altas e acaba prendendo os microplásticos dentro. 

Porém, ferver a água não é o único procedimento indicado. Os pesquisadores sugerem que passar a água depois por um filtro de café, que ajudaria a remover o cálcio solidificado, aumentaria mais ainda a diminuição das partículas que podem ser prejudiciais à saúde. Como esse ainda foi um único estudo, a eficácia do método ainda não pode ser comprovada até que novos experimentos cheguem a resultados similares. De qualquer forma, já é um bom indicativo de como se lidar com microplásticos no dia-a-dia.

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