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Este verme tem mais de 100 traseiros, alguns com cérebro e olho

Plantas e fungos têm a característica de ramificação. Contudo, apenas duas espécies de animais fazem isso, uma delas é um verme com dezenas de traseiros.

Vermes marinhos com traseiros
Imagem: Guillermo Ponz ‐ Segrelles / M. Teresa Aguado / Christopher J. Glasby

Quando se fala de ramificação, é comum se pensar em uma planta. Algumas vezes um fungo pode vir à cabeça também. Isso porque animais, teoricamente, não têm ramos, correto? Bom, mais ou menos. Na verdade, dois anelídeos marinhos possuem, sim, ramificações. Um verme, inclusive – Ramisyllis multicaudata – faz isso por meio de dezenas de cavidades anais.

Como se não fosse estranho o suficiente, essas ramificações do traseiro do verme também podem ter algo similar a olhos e cérebros independentes. Todavia, todas as perguntas que estão passando pela sua cabeça nesse momento ocorreram também aos cientistas que publicaram um estudo sobre o verme na revista Journal of Morphology.

Acontece que os pesquisadores descobriram que esse verme começa a ramificação do seu corpo durante períodos reprodutivos. Esse conjunto de divisões do corpo do verme começa, evidentemente, pela parte posterior. Em certo ponto, há a formação de estolhos, ou seja, unidades reprodutivas do bicho. Os estolhos, por sua vez, formam os órgãos sexuais e protótipos simples de olhos e sistema nervoso – além de uma cavidade anal.

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Esses estolhos, que pertencem a um pequeno ramo do bicho, se soltam do corpo do verme. Após isso eles encontram um parceiro para a reprodução e morrem. Bastante trágico.

Por que um verme precisa de tantos traseiros, afinal?

O anelídeo Ramisyllis multicaudata vive simbióticamente dentro de espojas marinhas. Imagem: Pixabay

O estudo desse animal, descoberto ainda em 2006, é um típico caso de pesquisa que traz mais perguntas do que respostas. A resposta para o título acima, por conseguinte, ainda é bem genérica, mas faz bastante sentido. Ao criar uma nova unidade reprodutiva que se desliga do corpo do animal, esse verme pode permanecer seguro no fundo do mar enquanto seus estolhos fazem o trabalho arriscado de gerar descendentes.

Como dito antes, apenas duas espécies de vermes têm essa característica. De acordo com os autores, ademais, o entendimento da reprodução desses anelídeos pode ser uma peça grande no quebra-cabeça da evolução dos vermes. Contudo, essa estratégia de reprodução provavelmente não foi vantajosa para muitos outros organismos e provavelmente por isso temos apenas dois vermes ramificadores.

A pesquisa com os R. multicaudata, além do mais, ajudou a definir alguns pontos importantes da anatomia do bicho. Nesse sentido, os pesquisadores desenvolveram simulações 3D dos intestinos do animal e classificaram diversas estruturas. O estranho é que cada cavidade anal possuía também uma parte do intestino – sem qualquer indício de alimento.

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Portanto, os autores ainda buscam entender como ocorre a nutrição dessas unidades reprodutivas e também qual a sua conexão com o sistema nervoso do animal.

O artigo está disponível no periódico Journal of Morphology.

Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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