Se os aquedutos romanos funcionavam com a força da gravidade, como a água conseguia subir morro acima? A resposta envolve engenharia hidráulica sofisticada e algumas máquinas engenhosas.
Os aquedutos estão entre os vestígios mais imponentes da Roma Antiga. Em geral, levavam água às cidades por declives suaves e contínuos. Alguns trechos, porém, precisavam vencer elevações, como no aqueduto de Aspendos, no sul da Turquia, construído no século 2 d.C.
Em Aspendos, os engenheiros recorreram a um sistema de sifões invertidos. O funcionamento foi descrito pelo pesquisador Paul Kessener, da Universidade Radboud, na Holanda, no estudo sobre o aqueduto de Aspendos e seu sifão invertido, publicado no Journal of Roman Archaeology em 2000. Especialistas já reconstruíram o sistema por meio de simulação virtual.
Pressão, torres e bolhas de ar em Aspendos
Para cruzar um vale, os romanos erguiam um “tanque de cabeceira” em uma extremidade e um “tanque de recepção”, ligeiramente mais baixo, na outra. Entre eles, no vale, construíam duas torres.
Ao descer por uma encosta íngreme, a água ganhava pressão suficiente para subir a primeira torre. Depois despencava abruptamente do outro lado, e esse impulso a levava ao topo da segunda torre. Por fim, chegava ao tanque de recepção e seguia rumo à cidade.
Um detalhe era crucial: impedir a formação de bolsas de ar nos condutos. Segundo Giovanni De Feo, professor de engenharia industrial da Universidade de Salerno, na Itália, os tanques relativamente grandes permitiam que as bolhas de ar escapassem, o que reduzia o risco de formação dessas bolsas.
“Quando o fluxo entrava em uma câmara relativamente grande, sua velocidade diminuía, permitindo que as bolhas de ar subissem naturalmente até a superfície da água e escapassem pela parte superior aberta da estrutura”, explicou De Feo.
Mesmo funcional, a solução não era a favorita. Segundo Charles Ortloff, pesquisador associado do Departamento de Antropologia da Universidade de Chicago, os romanos tentavam evitar sifões. Diante de um vale, preferiam construir uma ponte com um canal no topo, como a do aqueduto de Segóvia, na Espanha, que segue de pé até hoje.
Parafusos, rodas e bombas para erguer a água
Fora dos aquedutos, os romanos também usavam dispositivos para elevar água. O mais conhecido é o parafuso de Arquimedes, empregado às vezes para levar água de rios até campos de cultivo.
A invenção é atribuída ao inventor grego que viveu no século 3 a.C. Os historiadores Stephanie Dalley e John Peter Oleson, porém, sugeriram em um artigo de 2003 que o mecanismo pode ser mais antigo.
Segundo Ortloff, quando movido por tração animal, o parafuso elevava com eficiência a água do nível dos rios até terrenos mais altos. O aparelho tinha um eixo de madeira envolto por ramos finos e flexíveis de salgueiro ou vime, formando uma rosca contínua.
Essa rosca ficava dentro de um tubo de madeira, posicionado na água com inclinação de 30 graus. Conforme o eixo girava, a água subia pelo interior do tubo.
As rodas d’água também cumpriam essa função, inclusive em minas romanas. Pareciam rodas de carroça, porém maiores e equipadas com baldes que recolhiam a água durante o giro, segundo cientistas em um trabalho de 2024.
Havia ainda a chamada bomba de Ctesíbio, acionada à mão por uma alavanca de madeira em movimento oscilante. Dois cilindros com pistões se ligavam a uma câmara central, de onde a água saía por um bocal.
Com pressão, tração animal ou força humana, os romanos encontraram maneiras de levar a água aonde queriam, mesmo quando o caminho era ladeira acima.





