Cão domesticado de 20.000 anos encontrado na Itália

Erik Behenck

Os cães modernos evoluíram dos lobos, mas quando exatamente isso aconteceu? A descoberta de restos mortais de um animal numa caverna italiana pode revelar detalhes. Possivelmente é um cão domesticado de 20.000 anos.

A domesticação pode ter acontecido em diferentes partes do mundo ao mesmo tempo. A relação dos lobos com os humanos começou a ficar mais intensa durante o Paleolítico. Então, a ligação que era de disputa se tornou uma parceria.

Lobos e humanos viveram no mesmo ambiente por milhões de anos antes de firmarem parceria. A possibilidade mais forte é que os cães tenham evoluído dos lobos cinzentos há mais de 100.000 anos. Com a falta de comida, se tornaram amigos dos homens, atuando ainda como seguranças no caso da aproximação de animais perigosos.

Cão domesticado de 20.000 anos
Alguns dos restos caninos encontrados na Caverna Romanelli (Universidade de Siena)

Dos lobos aos cães atuais

Tudo começou com os lobos cinzentos (Canis lupus), um grupo de carnívoros que habitavam o hemisfério norte entre 100 e 120 milhões de anos atrás. Então, cerca de 55 milhões de anos atrás eles deram origem aos carnassials, semelhantes aos lobos, com mandíbulas e dentes potentes, preparados para destroçar carnes.

Os pesquisadores acreditam que um membro da família Miacis foi o responsável pelo surgimento de espécies como lobos, ursos, guaxinins, doninhas e nossos amigos cães. Agora, os pesquisadores acreditam que essa descoberta feita na Itália entregue informações preciosas sobre o assunto.

O trabalho foi conduzido pelo arqueólogo da Universidade de Siena, Dr. Francesco Boschin. Eles analisaram restos de canídeos e lobos encontrados em cavernas do país. Conforme a pesquisa, podem ser os “restos mais antigos de um cão doméstico”.

Estes materiais possuem entre 14.000 e 20.000 anos. Nessa época os humanos e os caninos começaram um relacionamento mútuo, que evoluiu alguns tipos de lobo para cães.

Cão domesticado de 20.000 anos e seus segredos

O Dr. Boschin e sua equipe combinaram moléculas e morfologias dos fósseis encontrados na Itália. Assim, os resultados mostraram a presença de cães junto aos homens há pelo menos 14.000 anos. Para eles, “as primeiras ocorrências de [animais] domesticados no Paleolítico Superior da Europa e no Mediterrâneo” aconteceram neste período.

Contudo, uma análise mais profunda mostrou que a data poderia girar por volta de 20.000 anos atrás. De qualquer forma, os fósseis encontrados na caverna italiana mostram informações valiosas sobre a evolução do melhor amigo do homem.

Cão domesticado de 20.000 anos

De fato, as conclusões são semelhantes às de um estudo publicado em 2011, que descreve restos bem preservados de um canídeo. Assim, o trabalho analisou um fóssil achado na Sibéria. 

Os lobos começaram a se relacionar com os homens durante o Paleolítico. Isso aconteceu cerca de 12.000 AEC. Desde então, a relação se tornou cada vez mais próxima, com estes animais vivem junto dos assentamentos humanos. Conforme o Dr. J. Clutton-Brock em um artigo, “logo depois de 12.000 AEC, restos de cães aparecem, inclusive, em sepulturas humanas”, diz ele.

O estudo foi publicado na Scientific Reports.

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