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Astrônomos traçam um novo caminho para caçar o planeta nove

Concepção artística do Planeta Nove. (Tom Ruen).

Dependendo da sua idade, você aprendeu na escola que o sistema solar tinha 9 planetas. Mas em 2006, Plutão deixou de ser planeta. Desde então, é lógico afirmar que o sistema solar possui 8 planetas. No entanto, os astrônomos cogitam a existência de um nono planeta, ainda não detectado, muito além da órbita de Plutão.

A partir do final do século XVIII, os astrônomos estranhavam a órbita do recém descoberto planeta Urano. No entanto, ninguém conseguia explicar o porquê de ela não obedecer aos modelos físicos e matemáticos. No século XIX, então, descobriram Netuno. A gravidade de Netuno interferia em Urano, e quando eles a consideraram, o modelo explicava a órbita perfeitamente.

Então há precedentes para um planeta oculto que interfere em outro. Os astrônomos estranham a peculiar órbita do planeta anão Sedna (imagem abaixo). Sedna se aproxima a 76 Unidades Astronômicas (UA) do Sol, em seu periélio, e em seu afélio, se afasta para 900 UA. Uma unidade astronômica é a distância média entre a Terra e o Sol. Um planeta é uma boa explicação para essa variação de mais de doze vezes a distância até o Sol.

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A órbita de alguns corpos do sistema solar. A de Sedna está em rosa claro e a do Planeta Nove em vermelho. (Nagualdesign).

Órbitas de cometas e asteróides geralmente são extremamente excêntricas (elipses muito achatadas) – isso é bastante comum. No entanto, entre os planetas e planetas anões, a excentricidade é muito baixa. As órbitas dos planetas do sistema solar são praticamente circulares. E não apenas Sedna sofre essa interferência, mas outros diversos pequenos objetos pela região.

A busca pelo Planeta Nove

É nesse contexto que cientistas de todo o mundo correm adoidados para encontrar o tal Planeta 9. Uma dupla de cientistas, formada pelos astrônomos Malena Rice e Gregory Laughlin, ambos de Yale University, nos Estados Unidos, buscam traçar um novo método.

A principal dificuldade é a escuridão do espaço. Por exemplo, na imagem abaixo. A foto da esquerda é Plutão em 1994, fotografado a partir do Telescópio Espacial Hubble, da Terra. Mas em 2006, a NASA enviou a sonda New Horizons para explorar o sistema solar transnetuniano (além de Netuno). Dessa forma, em 2015, a sonda se aproxima de Plutão, e finalmente temos imagens em alta resolução.

Foto de Plutão feita pelo Hubble em 1994, à esquerda, e pela New Horizons em 2015, à direita. (NASA).

Se enxergar Plutão já era difícil, imagine enxergar um planeta ainda além. “Você realmente não pode vê-los sem usar este tipo de método. Se o Planeta Nove estiver lá fora, será incrivelmente escuro”, diz em um comunicado Malena Rice, autora principal de um estudo aceito pelo periódico The Planetary Science Journal mas ainda não publicado.

Rice apresentou a ideia do estudo que desenvolve com Laughlin para a comunidade acadêmica no dia 27 de outubro na reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da American Astronomical Society.  A ideia deles é utilizar o método de deslocamento e empilhamento. Por meio de um software, você desloca imagens de telescópios, para alinhá-las e, em seguida, as empilha. Dessa forma, enxerga novos brilhos antes ocultos. Os cientistas já descobriram diversas luas do sistema solar com esse método.

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Tarefa difícil

Prevê-se que o Planeta Nove tenha de 5 a 10 massas da Terra (esse tamanho classifica-se como Superterra), e possivelmente uma composição semelhante a Netuno e Urano. Seria o quinto dos gigantes gelados, ou gigantes gasosos do sistema solar. Além disso, possivelmente sua distância até o Sol fica entre  14 a 27 vezes maior do que a de Netuno (que já é bastante grande).

“Esta é uma região do espaço quase totalmente inexplorada”, explica Laughlin. 

E não conhecer um planeta desse tamanho por lá não é algo vergonhoso. Ele não brilha nada pela falta de Sol. Os cientistas descobriram Plutão apenas na década de 1930. Enquanto observamos Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno há milhares de anos, só descobrimos Plutão quando carros já andavam pelas ruas, aviões pelo céu e Hitler já se aproximava da liderança da Alemanha. 

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O estudo será publicado no The Planetary Science Journal. Com informações de Phys.org / Yale University e Space.com.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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