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Como as pernas dos crustáceos formaram as asas dos insetos

A vida na terra deve ter começado na água. Os primeiros artrópodes a evoluir eram bastante estranhos, não muito diferentes de hoje em dia. Nesse sentido, os crustáceos abriram o caminho para que os insetos e aracnídeos pudessem dominar o ambiente terrestre. Todavia, apenas um desses três grupos tem a habilidade de voar. As asas dos insetos permitiram que esses animais se espalhassem por quase todos os ambientes terrestres do mundo.

(Imagem de Robert C por Pixabay)

Apesar dessa característica útil, ademais, ainda é bastante difícil entender como as asas dos insetos surgiram. Tendo isso em vista, os pesquisadores Heather S. Bruce e Nipam H. Patel mostraram que as asas dos insetos podem ter evoluído, na verdade, de um par de pernas dos crustáceos. O estudo publicado no periódico Nature mostra em comparação a evolução das asas dos insetos e como elas podem ter se formado por uma fusão de pernas nos ancestrais desses artrópodes.

Do mar à terra

Durante o período Cambriano, a biodiversidade de animais do mar aumentou de forma como nunca antes. Até porque antes disso não existiam de fato muitos animais no planeta. Fato é que nesse tempo os crustáceos começaram a se espalhar pelo mundo. Esse grupo hoje conta com os caranguejos, lagostas, camarões e mais uma gama enorme de animais em geral marinhos. Todavia, o mar começou a se tornar um ambiente cada vez mais competitivo.

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Esse aumento na diversidade criou uma pressão evolutiva para que os animais explorassem ambientes com mais recursos. Com isso diversos organismos acabaram evoluindo lentamente para viver em ambientes terrestres. Por volta de 450 milhões de anos atrás as primeiras plantas já estavam tomando conta dos ambientes estéreis da terra firme. Isso aumentou a quantidade de oxigênio na atmosfera, o que causou extinções em massa no oceano, mas possibilitou que a vida terrestre prosperasse.

(Imagem de Erwin Cox por Pixabay)

É aí que os insetos começaram a evoluir. É provável que algum tipo de crustáceo primitivo tenha desenvolvido, aleatoriamente, uma habilidade de ficar em terra por curtos períodos de tempo. Ao longo de milhões de anos isso deu origem a animais que podiam respirar oxigênio. A presença das asas, no entanto, foi um facilitador ainda maior para que os insetos tivessem suscesso.

As vantagens das asas dos insetos

É bastante importante lembrar aqui das patas dos artrópodes. Os crustáceos em geral possuem 10, os insetos 6 e os aracnídeos 8. O que os pesquisadores propuseram no estudo é que dois pares de patas dos crustáceos primitivos podem ter se fundido ao exoesqueleto, dando origem às estruturas das asas em alguns insetos. Aqueles que não desenvolveram asas, por outro lado, acabaram com um exoesqueleto mais rígido. Para isso o estudo contou com análises genéticas feitas em drosófilas e pequenos crustáceos. É provável que uma mutação tenha permitido, inclusive, a fusão da parede do corpo e das pernas dos crustáceos.

(Bruce & Patel, Nature Ecology and Evolution)

A grande vantagem evolutiva de ter asas foi a velocidade de deslocamento. Essa nova mobilidade permitiu que esses animais fugissem mais facilmente de predadores e também caçassem mais habilmente. Não é por acaso, aliás, que a classe dos insetos é a mais numerosa do planeta.

O estudo científico foi publicado no periódico Nature.

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