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Ciências Forenses

Árvores podem ajudar a encontrar corpos desaparecidos

Árvores de uma floresta
Árvores poderiam ajudar a encontrar corpos? (Créditos da imagem: AP Photo/Carlos Osorio)

Um estudo da Universidade de Tennessee, nos EUA, mostrou que as árvores podem ajudar a encontrar corpos desaparecidos em decomposição. Segundo o artigo publicado no Journal Trends in Plant Science, as copas de árvores podem ser usadas para ajudar as equipes de resgate.

Usar árvores para encontrar corpos

Esquema encontrar corpos com árvores

O que explica isso são as mudanças químicas ao redor dos restos mortais. Elas alteram o solo, as raízes e as folhas das plantas em volta. Os pesquisadores chamam essas mudanças de “ilhas de decomposição”. A pergunta que os pesquisadores fizeram foi: e se essas alterações químicas puderem mudar a cor e a refletância das folhas das árvores? Se isso for possível, as autoridades policiais podem usar drones para sobrevoar e escanear florestas, procurando por essas alterações. Agora, a ideia está sendo finalmente proposta pelo grupo de cientistas.

O biólogo Neal Stewart, um dos autores do artigo, disse: “estamos propondo usar plantas como indicadores de decomposição humana. Podemos usar as árvores dentro da floresta para identificar onde alguém morreu. Assim podemos ajudar na recuperação do corpo”. Assim as árvores podem ajudar a encontrar os corpos.

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Ainda há desafios

Segundo Stewart, a consequência mais óbvia das ilhas seria a grande liberação de nitrogênio, principalmente no verão, quando a decomposição acontece mais rápido.

No entanto, algumas coisas ainda não estão totalmente claras. Por exemplo, ainda não se sabe como os gases que emanam de um corpo podem afetar a área em torno. Além disso, um cadáver atrai vários animais, como abutres e moscas, que complicam ainda mais a análise. Ao interferir no cenário ao redor dos corpos, a situação pode ficar mais complicada. Os animais visitantes podem contribuir com urina e fezes no ambiente e as plantas também podem reagir de forma diferente.

Localizar uma pessoa morta em uma floresta é complexo. Não é como pilotar um avião sobre uma floresta e detectar um cultivo ilegal. Existe um grande número de variáveis que determinam como um organismo morto libera os nutrientes, além de como micróbios podem afetar a vegetação.

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Outro desafio inclui a necessidade de diferenciar os corpos humanos dos corpos de outros grandes mamíferos. Mas espera-se que a tecnologia de imagem ficará mais desenvolvida com o tempo. Mesmo se no futuro ainda não for possível distinguir os humanos de outros mamíferos, a ideia ainda pode ser aplicada. As autoridades podem escanear alguns quilômetros quadrados para obter dados das plantas e, assim, investigar cada local.

VEJA MAIS: Os maiores absorventes de carbono são florestas jovens

Uma ideia promissora

Essa área de estudo é realmente nova, então há muitas coisas que ainda precisam ser entendidas. Há muitos mistérios sobre o comportamento das plantas. Os pesquisadores estão usando árvores e arbustos para realizar experimentos e analisar as respostas das folhas. Essa parte da pesquisa começou há poucos meses, então os pesquisadores ainda não têm dados para mostrar. Mas eles querem, em breve, fazer experimentos em terrenos expostos a corpos em decomposição.

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A utilidade da pesquisa ainda está a anos de distância. Mas, para os cientistas, as novas descobertas são promissoras. Em florestas mais densas e perigosas, como a Amazônia, as patrulhas a pé são inviáveis. Logo, os estudos poderão ser úteis no futuro.

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Matheus Gouveia é formado em Engenharia Elétrica e apaixonado por ciência e tecnologia. Atualmente é redator da SoCientífica e autor do blog "DoCaramba!".


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