Uma mini-lua pode ter atingido o espaço aéreo da Austrália

Milena Elísios
Uma bola de fogo que explodiu na área da baía de São Francisco em 17 de outubro de 2012. (NASA / Robert P. Moreno Jr)

Bolas de fogo explodem na atmosfera da Terra a todo momento. E uma bola de fogo que explodiu sobre o deserto australiano em 2016 poderia ter sido confundida com qualquer outro bólido, se não fosse por uma rede de câmeras monitorando o céu em busca de tais eventos. Graças as imagens capturadas por estas câmeras – chamadas Desert Fireball Network – os astrônomos souberam que a bola de fogo não era uma rocha espacial explosiva comum. Os dados de velocidade revelaram que a rocha provavelmente estava em órbita ao redor da Terra antes de atingir a atmosfera e encontrar seu fim; um fenômeno conhecido como orbitador temporariamente capturado, ou, coloquialmente, uma mini-lua.

Há um monte de rochas por aí, passando pela Terra, então é lógico que algumas delas vão penetrar na atmosfera em algum momento. A maioria deles acaba como bólidos, explodindo ao adentrar atmosfera da Terra. Mas de vez em quando, um desses asteroides é capturado na órbita da Terra por algum tempo. Mas não com frequência: de acordo com uma simulação de supercomputador publicada em 2012 envolvendo 10 milhões de asteroides virtuais, apenas 18.000 foram capturados pela órbita da Terra.

Não se sabe quantos asteroides há por aí perto da Terra. As estimativas colocam o número em milhões, mas até 30 de novembro de 2019, apenas 21.495 foram descobertos. Isso porque eles são pequenos e muito difíceis de ver – e essa dificuldade de detecção também se estende as mini-luas.

Antes do bólido de 2016, apenas duas mini-luas foram observadas da Terra: um asteroide chamado 2006 RH120, que orbitou a Terra por cerca de um ano entre 2006 e 2007; e um bólido em janeiro de 2014, com uma baixa velocidade que indicava uma origem orbital.

A bola de fogo que atravessou o céu em 22 de agosto de 2016 foi observada com muitos detalhes, graças as seis câmeras espalhadas pelo deserto australiano. Os pesquisadores, foram capazes de determinar que o objeto viajava a uma velocidade de 11 quilômetros por segundo, em trajetória vertical.

A velocidade lenta indica que o objeto estava orbitando a Terra, e o ângulo exclui a possibilidade de que o objeto seja um detrito de satélites. Segundo os astrônomos existe uma probabilidade de 95% de o objeto ser um orbitador temporariamente capturado – uma mini-lua.

O artigo científico foi publicado no The Astronomical Journal.

FONTE / Science Alert

Compartilhar