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Um planeta como a Terra poderia existir entre dois sóis a 16 anos-luz? Estudo diz que a órbita seria estável

Por Editado por Elisson Amboni
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E se um mundo parecido com a Terra pudesse orbitar tranquilamente uma estrela que divide o céu com uma segunda estrela? No sistema 70 Ophiuchi, a cerca de 16 anos-luz daqui, isso parece perfeitamente possível.

Uma equipe de astrônomos de mais de uma dúzia de instituições combinou um século de observações com milhares de simulações de órbitas. O estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal, mostra que planetas com massa terrestre podem manter órbitas estáveis na zona habitável da estrela principal do par.

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O mesmo trabalho descarta a presença de planetas gigantes com massa igual ou maior que a de Júpiter até cerca de cinco unidades astronômicas da estrela principal. Com isso, frustra as esperanças de gigantes no sistema ligado à reivindicação de exoplaneta mais antiga já proposta, feita ainda em 1855.

A ressalva é importante: nenhum planeta rochoso foi encontrado, porque mundos desse tamanho ainda estão abaixo do limite de detecção dos instrumentos.

Duas anãs laranja na vizinhança do Sol

O sistema 70 Oph AB é formado por duas anãs do tipo K, com cerca de 88% e 73% da massa do Sol. Pelos cálculos da equipe, elas teriam aproximadamente 3 bilhões de anos.

Anãs K são um degrau abaixo do Sol na escala estelar: menores, mais frias e menos brilhantes. Elas são consideradas alvos promissores na busca por habitabilidade porque são mais calmas que as anãs vermelhas e podem viver até 70 bilhões de anos, potencialmente cerca de sete vezes mais que o Sol.

O sistema fica a uma distância cerca de quatro vezes maior que a de Proxima Centauri, nossa vizinha mais próxima. Sua natureza binária é conhecida há quase 250 anos, desde as observações de William Herschel.

Para os pesquisadores, a presença de uma companheira estelar não condena automaticamente um planeta habitável.

“Nosso sistema solar, com apenas uma estrela, é na verdade um tanto incomum. Muitas estrelas têm companheiras estelares”, explicou Stephen Kane, astrofísico da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR) e coautor do estudo. “Você poderia imaginar essa segunda estrela passando como uma bola de demolição e tornando impossível a sobrevivência de um planeta do tamanho da Terra na zona habitável. Mas essas simulações mostram que esse não é necessariamente o caso.”

Um século de bamboleios estelares

A equipe reuniu medições de velocidade radial das duas estrelas, incluindo dados de oito instrumentos diferentes para a principal. O método detecta pequenas variações na velocidade de uma estrela causadas pela atração gravitacional de outro corpo. Quando ela se aproxima da Terra, sua luz fica levemente mais azulada; ao se afastar, mais avermelhada.

A precisão alcançada foi melhor que 1 metro por segundo, algo comparável a apertar o passo durante uma caminhada. Os cientistas então inseriram sinais de planetas fictícios nos dados para testar o que conseguiriam detectar.

Também simularam planetas com a massa da Terra em 2.000 distâncias diferentes da estrela principal, acompanhando cada um ao longo de 10 milhões de anos.

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“O que descobrimos é que órbitas estáveis são possíveis na zona habitável da estrela primária”, afirmou Skylar D’Angiolillo, pesquisadora de ciências da Terra e planetárias da UCR e coautora do trabalho.

Já a busca por gigantes gasosos terminou vazia até cerca de cinco unidades astronômicas da estrela principal. Em 1855, o astrônomo britânico William Jacob havia apontado um planeta ali. Medições mais recentes mostraram uma oscilação que ainda poderia ser atribuída a um corpo do porte de Júpiter, mas o sinal parece vir apenas da atividade da própria estrela.

“É uma mistura de decepção e empolgação”, disse Yiting Li, astrônoma da Universidade de Michigan e primeira autora do estudo.

Como mais da metade das estrelas do céu tem uma ou mais companheiras, o modelo pode ampliar a busca em outros sistemas binários. Futuros telescópios, como o Habitable Worlds Observatory, da NASA, poderão testar a ideia. Segundo os autores, se binárias podem abrigar planetas parecidos com a Terra, 70 Oph é um dos melhores lugares para procurar.

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