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História & Humanidade

Perus eram usados na fabricação de cobertores indígenas, mostra estudo

Cientistas encontraram indícios de que os perus selvagens eram membros importantes das comunidades indígenas dos Pueblos. (Imagem de Diane Olivier por Pixabay)

O peru é uma comida tradicional dos Estados Unidos. Depois da origem do feriado de Ação de Graças, essa ave virou um símbolo da data. Isso porque os perus selvagens eram animais muito numerosos e únicos do oeste americano. Contudo, arqueólogos da Washington State University descobriram novas evidências que indicam que os povos nativos dos oeste não se alimentavam dos perus selvagens.

Essa hipótese foi proposta depois que os pesquisadores encontraram cobertores feitos de penas de perus em sítios de escavação. Os arqueólogos encontraram diversas peças do tipo e acreditam que esses cobertores tinham ampla circulação nas populações dos Pueblos. Evidências indicam, ainda, que os perus selvagens começaram a virar alimento só depois do século XII, quando as presas de caça começaram a sumir devido à exploração.

(Free-Photos /Pixabay)

Até esse período essas populações criavam perus selvagens em pequenas fazendas, usando suas penas para fazer os cobertores. Esse provavelmente era um processo longo e artesanal. Mary Weahkee, arqueóloga do Departamento de Assuntos Culturais do Novo México utilizou a técnica milenar dos indígenas para fazer um cobertor do tipo. Para concluir essa façanha ela levou 18 meses e precisou de mais de 17.000 penas de 68 animais. “Isso mostra como os ancestrais eram criativos e pacientes”, afirma Weahkee para a New Mexico Wildlife Magazine. “É um trabalho de amor”

Apesar dessa tradição ter ficado apagada por centenas de anos após a colonização dos EUA, diversos registros de rituais dos povos dos Pueblos mostram a importância disso. As danças eram feitas exibindo penas de animais, o que indica a forte presença cultural desse material nas comunidades.

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Como funcionava a criação de perus selvagens

Toda essa extração de penas só foi possível por um motivo: os perus não sofrem com isso. Acontece que essas aves têm um mecanismo de defesa em suas penas. Basicamente, sempre que um predador agarra as penas elas simplesmente se soltam, sem machucar a pele do animal. Isso é uma vantagem evolutiva que permitiu que o bicho desenvolvesse penas longas e enfeitadas. Os povos indígenas americanos, por sua vez, se utilizaram dessa característica. Assim, eles criavam os animais, retirando suas penas conforme elas fosse crescendo, sem causar dano ao bicho.

(Bruno /Germany/Pixabay)

Aliás, evidências sugerem que os perus eram bastante importantes para as famílias. Isso porque essas pessoas enterravam os animais após a sua morte, sem os usar como alimento. Nesse sentido, antes do ano 1.100 essas populações preferiam caçar outros animais selvagens. Conforme a disponibilidade de caça foi diminuindo, contudo, os cobertores e tecidos começaram a ser feitos com pele de coelho. Os perus, assim, se tornaram uma fonte de alimento valiosa em tempos de escassez.

Os pesquisadores retiraram essa análise de um cobertor do tipo encontrado em Utah. O tecido tem aproximadamente um metro quadrado e as penas foram completamente devoradas por insetos. Contudo, os pesquisadores puderam observar as armações feitas de yucca – uma planta nativa do sul dos Estados Unidos. Além do mais, os cientistas encontraram outro cobertor menor quase completamente conservado, do mesmo período que o anterior. Em ambas as peças foi possível observar que os artesãos usavam principalmente penas das costas e do peito dos animais.

OS arqueólogos analisaram as duas peças acima. (Cedars State Park Museum / Journal of Archaeological Science: Reports)
Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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