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Plantas & Animais

Por que e como há quatro estações na Terra?

(Liquidwords / Wikimedia Commons).

Diferente do que muitos pensam, as mudanças entre as quatro estações não tem nada a ver com a proximidade da Terra com o Sol. Prova disso é o fato de que os dois hemisférios sempre experimentam estações opostas – isto é, se no hemisfério norte é inverno, aqui no hemisfério sul é verão.

Se houvesse alguma relação com a distância até o Sol, os dois hemisférios apresentariam a mesma estação. Além disso, a órbita da Terra é quase circular. Embora as órbitas sejam elípticas, conforme você já aprendeu na escola, as órbitas planetárias não apresentam uma elipse muito excêntrica, isto é, não possuem uma órbita muito achatada. Na verdade, essas órbitas tendem a um círculo. Portanto, a distância da Terra até o Sol varia muito pouco ao longo do ano.

No caso dos cometas, por exemplo, que possuem uma órbita extremamente excêntrica e, portanto, alongada, experimentam grandes efeitos ao longo de sua variação da distância até o Sol. Quando estão longe, congelam e viram objetos sem graça. Mas ao se aproximar de nossa estrela, o gelo derrete e eles ganham lindas caudas, como o cometa Halley, que torna-se visível a Terra a cada 75 anos. 

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O que causa, então, as quatro estações?

A resposta é simples: a Terra não está completamente alinhada com o seu plano orbital. Em outras palavras, a Terra é torta. Isso significa que se você pegar um lápis e traçar um risco bem no meio do planeta ligando as linhas que a Terra segue em sua órbita, você não obterá a linha do equador. Isso ocorreria somente se o eixo da Terra estivesse a 90° do plano orbital, mas está a 66,5° e 23,5° em relação ao eixo orbital, conforme demonstra a imagem abaixo. 

Sabemos desse ângulo pois consideramos como eixo da Terra a “âncora” da rotação do planeta. Ou seja, a Terra gira em torno desse eixo, formando os polos geográficos da Terra. Além disso, os polos magnéticos do planeta praticamente coincidem com os geográficos no dias de hoje (embora mudem lentamente). Acredita-se que a Terra se inclinou após um grande impacto, ainda nos primórdios do sistema solar. 

(Tauʻolunga / Wikimedia Commons).

Dessa forma, os raios solares não incidem da mesma forma no hemisfério norte e no hemisfério sul. Cada ponto do planeta recebe uma quantidade maior ou menor de luz do Sol dependendo do ponto da órbita que se localiza. Então, é por isso, também, que as estações possuem um sincronismo tão grande. 

Justamente pela inclinação, temos os quatro momentos que dividem as estações: solstício de verão (o dia mais longo do ano), solstício de inverno (a noite mais longa do ano), equinócio de outono e equinócio de primavera. Estes dois últimos são os únicos momentos do ano em que o Sol ilumina os dois hemisférios da mesma forma. Nesse dia, noite e dia dividem praticamente o mesmo tempo – 12 horas.

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Outros planetas

Não apenas a Terra possui estações. Os outros planetas também se inclinam. Na verdade, Mercúrio, Vênus e Júpiter praticamente não se inclinam. Seu eixo de rotação está a quase exatos 90° em relação com o plano orbital. Mas outros planetas possuem grandes inclinações. Urano, por exemplo, tombou completamente para o lado, conforme demonstra a imagem abaixo:

(NASA/JPL-Caltech/Richard Barkus).

Note, ainda, que Marte possui quase a mesma inclinação do que a Terra. Então, pelo efeito de sua inclinação, o planeta vermelho possui, também, quatro estações. Mas Marte também possui uma órbita consideravelmente mais excêntrica do que a Terra (ainda não tanto como um cometa). Portanto, o planeta sofre ainda, alguns efeitos do distanciamento do Sol, além da inclinação de seu eixo. 

As lindas estações da Terra (sentidas principalmente nas latitudes temperadas, como América do Norte, Europa e sul da América Latina), possuem uma causa completamente aleatória há alguns bilhões de anos. Agradeça ao universo. 

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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