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Por que até mesmo adultos têm medo de fantasmas?

Espectrofobia, o medo de fantasmas
Imagem: Patrick Tomasso/ Unsplash

Já aconteceu de você estar sozinho, mas ter certeza que alguém lhe observava? Então, você quis se virar, mas teve medo de encarar alguma criatura do outro mundo? Pois saiba que você não está sozinho, ao menos no que diz respeito a ter medo de fantasmas. 

De fato, para alguns adultos possuem esse sentimento de medo, que pode se transformar em uma fobia, e que torna difícil ou impossível ficar sozinho. Dessa forma, a Espectrofobia, também conhecida como fasmofobia, é um transtorno psiquiátrico caracterizado pelo medo irracional de fantasmas.

Medos de fantasmas: muito mais comum do que se imagina

O medo de fantasmas pode ser muito mais comum do que se costuma pensar. Vergonha é provavelmente o que impede muitas pessoas de mencionar seus medos a médicos ou psicólogos. 

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Ricardo de Oliveira-Souza, psiquiatra do Instituto D’Or de Pesquisa e Educação no Rio de Janeiro, passou a se interessar por esse fenômeno depois que um de seus pacientes, que cuidava de um quadro de depressão, mencionou que o tratamento também o curara de seu medo de fantasmas, que o impedia de dormir, quando sozinho.

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Para Oliveira-Souza, a descrição do paciente correspondia às características de uma fobia. Este é um termo em psicologia usado para descrever medos avassaladores, desencadeados por uma determinada situação. No caso dos pacientes observados, ficar sozinho ou pensar em filmes de terror ou elementos sobrenaturais. Por conta disso, o psiquiatra começou a perguntar e descobriu que muitos amigos, pacientes e mesmo parentes também relataram terem medo de fantasmas.

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Noites perambulando nas ruas

Em um artigo publicado em novembro de 2018 na revista Frontiers in Psychiatry, Oliveira-Souza destacou alguns desses casos. Em um deles, uma recepcionista de hotel, de 46 anos, que morou com os pais durante toda a sua vida, ficou sozinha depois que o pai faleceu  e sua mãe decidiu se mudar; a mulher tinha pavor de ficar sozinha no apartamento que era da família. Quando sua mãe partiu para uma viagem de fim de semana, antes da mudança planejada, a mulher passava a noite andando pelas ruas, para não ficar sozinha em casa. Além disso, quando ela tentava adormecer, memórias do funeral de seu pai a impediam.

Casamento para não dormir só

Em outro caso, um advogado de 54 anos hesitou em deixar um casamento ruim porque tinha medo de morar sozinho; quando jovem, ele dormia no mesmo quarto que seu irmão mais velho e se casou apressadamente depois que seu irmão saiu de casa, porque seu medo do sobrenatural o deixava com medo de ficar sozinho. O advogado relatou que, mesmo quando estava só em seu escritório, sentia que alguém o estava observando, ou que algo se materializaria à sua frente. Esse sentimento de ser observado também é conhecido como “Anwesenheit”, uma palavra alemã que significa “presença”.

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Houve ainda o caso de uma estudante universitária de 19 anos, que dormia com os pais por medo de espíritos que quebrariam a janela do quarto. Já uma viúva de 63 anos ficava tão aterrorizada com a possibilidade de alguém ou alguma coisa estar em sua sala à noite, que às vezes molhava a cama em vez de se levantar e caminhar até o banheiro,para não passar pelo cômodo.

Crianças superam o medo de fantasmas com mais facilidade

Uma menina de 11 anos relatou temores de que mãos a arrastariam para baixo da cama se ela balançasse as pernas sobre o chão ou que uma aparição aterrorizante surgiria na escuridão. No entanto, a menina superou seus medos após a puberdade, como ocorre com muitas crianças. 

Para os adultos, por outro lado, não é tão simples e pode haver a necessidade de remédios. A maioria responde bem ao tratamento com antidepressivos ou benzodiazepínicos, que são os medicamentos mais comuns usados ​​no tratamento de fobias específicas. Isso porque os medicamentos aliviam a ansiedade, que é o centro do medo, independente do tipo de fobia.

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Alguns pacientes também foram tratados com terapia cognitivo-comportamental, um método de terapia de conversação que funciona ao desembaraçar o medo específico, neste caso, fantasmas, da experiência física e emocional da ansiedade.

Espectro da fobia

Muito provavelmente, que sofre de fobia de fantasmas não estará completamente livre do medo, ele pode ainda ocorrer em um espectro. Da mesma forma que uma pessoa sem claustrofobia completa ainda pode se sentir bastante desconfortável em um elevador com defeito, mesmo após o tratamento, uma pessoa que já tratou seu medo de fantasmas ainda pode lutar para banir memórias de filmes de terror ou romances de Stephen King, enquanto está sozinha em uma noite escura.

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FONTE / Live Science

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Publicado por

Adriana Tinoco de Vasconcelos, a.k.a Dri Tinoco, é graduada em Letras através da UERJ e atua como redatora web, revisora de textos, podcaster e youtuber.


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