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Por que algumas pessoas ouvem os mortos? Cientistas investigando

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Ouvir os mortos pode estar relacionado à uma tendência a estados de consciência alterada e imaginação fértil, segundo pesquisadores da Durham University, no Reino Unido. Eles descobriram que doença mental ou crença muito forte na possibilidade de contato com os mortos nem sempre é a causa.

A declaração de algumas pessoas de serem “capazes de ouvirem os mortos” atraiu a atenção tanto de antropólogos que estudam experiências religiosas e espirituais quanto de psiquiatras. Nos séculos 19 e 20, essa tendência aumentou bastante com o espiritualismo, um movimento religioso cujos partidários acreditam na capacidade de se comunicar com os espíritos dos mortos por meio de médiuns.

Em pesquisa publicada no periódico Mental Health, Religion and Culture, os autores detalham que convidaram 65 médiuns da União Nacional de Espíritas da Grã-Bretanha. Depois de entrevistá-los, eles descobriram que 44,6% dos médiuns ouvem vozes todos os dias, 79% disseram que isso faz parte do seu dia a dia. A maioria ouviu vozes dentro da cabeça, mas 31,7% pensaram que vinham de fora. 18% relataram que tiveram essas experiências pela primeira vez na infância. Em média, isso aconteceu entre 21-22 anos.

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Além disso, os médiuns apresentaram altas taxas de absorção. Em psicologia, a absorção é a suscetibilidade de uma pessoa a estados especiais de consciência – hipnose, meditação, intoxicação por drogas. Essas pessoas têm pensamento imaginativo e tendem a criar fantasias.

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Os pesquisadores também entrevistaram 143 pessoas que não se classificam como médiuns. Embora alguns deles também experimentassem alucinações auditivas, e sua tendência para absorver estivesse correlacionada com a crença no paranormal, os médiuns eram mais propensos a alucinar e a correlação era mais pronunciada. Além disso, os médiuns eram muito menos propensos a se importar com o que os outros pensavam deles.

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As alucinações auditivas podem ocorrer em pessoas mentalmente saudáveis ​​devido ao estresse, falta de sono, durante o adormecimento e durante a adolescência. Obviamente, em busca dos motivos de sua ocorrência, os jovens tropeçam em interpretações espiritualistas que vão ao encontro de suas experiências e sensações e se tornam justificativas suficientes. A propensão para a absorção e a rica imaginação levam ao aparecimento de vozes continuamente.

“Para nossos participantes, parece que os princípios do espiritualismo trouxeram significado tanto para as experiências extraordinárias da infância quanto para os fenômenos auditivos frequentes que eles encontram”, disse o autor principal do estudo, Adam Powell.

Os pesquisadores esperam que os novos dados ajudem a entender melhor as causas das alucinações auditivas, incluindo aquelas associadas a doenças mentais como a esquizofrenia, e também a encontrar maneiras de combatê-las.

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Tradutor e escritor freelancer, é divulgador científico na SoCientífica desde 2018. Nela, escreve sobre temas que dão faísca à imaginação do leitor, de tubarões e fantasmas a quasares.

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