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Saúde & Bem-Estar

Síndrome de Cotard: a doença que te faz acreditar que perdeu partes do corpo ou a própria vida

(Bob Jagendorf / Wikimedia Commons).

A síndrome de Cotard, descrita pela primeira vez pelo neurologista francês Dr. Jules Cotard, em 1882, é uma condição bastante rara. Trata-se de um série de delírios causados pelos mais diversos tipos de transtornos. Na síndrome de Cotard, o paciente pensa que perdeu partes do corpo, sangue, órgãos ou até mesmo que perdeu a vida. É como, por exemplo, você sentisse que sua mão não existe. E não confunda com niilismo ou quaisquer coisas filosóficas – trata-se de uma doença real e muito séria.

“Jules Cotard, um médico francês, em 1880, descreveu o caso de uma mulher de 43 anos que relatou que não tinha “cérebro, nervos, tórax ou entranhas e era apenas pele e osso – nem Deus nem o Diabo existiam – ela era eterna e viveria para sempre”, relatam KUDLUR S. et al. em um estudo publicado em 2007 no periódico The European Journal of Psychiatry, onde debatem algumas ideias sobre a doença. 

Podem causar a síndrome de Cotard desde transtornos de humor, transtornos psicóticos até algumas condições médicas, conforme RUMINJO, A et al. O tipo de efeito depende muito de como cada indivíduo responde aos estímulos ambientais e internos, muitas vezes extremos. 

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Jules Cotard (1840-1889) e Mademoiselle X, seu primeiro caso da síndrome.

Senhora L

Anne Ruminjo e Boris Mekinulov relatam, em um estudo de caso, a ocorrência de uma mulher que eles apelidaram de Sra. L, para não expor o nome. Sra. L, uma mulher filipina, possuía 35 anos de idade e morava, na época, nos Estados Unidos. Nos 18 anos onde morou nas Filipinas, Sra. L tomou antidepressivos em um determinado período, mas não se lembrava do nome do medicamento, nem da dosagem.

Sua família a levou ao hospital porque a senhora reclamava que estava morta, cheirava a carne podre e os pedia para que a levassem ao necrotério para ficar juntos aos outros mortos. Em sua entrevista com os médicos, então, relatou sonolência, falta de apetite, falta de energia e outros pontos comuns de diversas doenças. A parte mais estranha da entrevista, no entanto, foi quando a Sra. L relatou o medo de que os paramédicos quisessem incendiar a sua casa – sem motivo algum.

Então os médicos iniciaram o tratamento. Sra. L não ligava para sua higiene pessoal nem aparência, havia de fato se entregado para a morte. Com testes com diversas medicações o tratamento continua. Em determinado momento Sra. L teve até mesmo um episódio de convulsão. Quando enfim os médicos acertaram o remédio e a dosagem, o tratamento passou a fazer efeito, e Sra. L parou com as alucinações, além de aceitar um acompanhamento psiquiátrico.

Life and death, pintura à óleo, autor desconhecido. (Wellcome Collection).

Outro caso, descrito em um artigo de 2009 liderado por Hans Debruyne, é de uma mulher de 46 anos que perdeu a identidade própria. Ela acreditava que perdera seu cérebro, seu intestino e que seu corpo era translúcido. Assim como a Sra. L, essa paciente se negava a ceder aos procedimentos básicos de higiene pessoal, como o banho.

Causas da Síndrome de Cotard

O casos acima exemplificam, de modo geral, um pouco dos efeitos da doença. A síndrome pode estar ligada, então, à ansiedade, melancolia, alucinações, além de, é claro, esse comportamento “niilista extremo”. Muitos pacientes já possuem antecedentes com transtornos de bipolaridade, transtornos depressivos e esquizofrênicos.

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Alguns casos, também, surgem com efeitos cerebrais físicos, como tumores, traumatismos cranianos. No entanto,  não existe uma relação direta de causa e efeito. Assim como diversos outros tipos de transtornos psiquiátricos, cada pessoa responde de uma forma às situações internas e externas, e cada um sofre um efeito específico. Embora haja algumas ligações fortes da síndrome de Cortard, nunca traçaram uma linha direta com outros problemas.

Com informações de Futura Sciences, RUMINJO, A et al. e KUDLUR S. et al.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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