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Espaço

Montanhas de Plutão possuem estranhas nevascas de metano

(NASA/JHUAPL/SwRI and Ames Research Center/Daniel Rutter)

Há rios de metano em Titã, já que é um local muito mais frio e com uma atmosfera mais densa que a da Terra. Mas Plutão já sobe um nível. O planeta anão possui nevascas de metano, como descobriu a sonda New Horizons, que visitou Plutão em 2015. Mas essa não é a parte mais estranha.

Antes da New Horizons, sabíamos muito pouco sobre o distante ex-planeta. Mas a sonda revelou uma enorme e linda complexidade presente na superfície de plutão. As dinâmicas do clima criam lindas paisagens, cheias de formas e cores, além de inúmeros processos exóticos.

Um estudo, publicado recentemente na revista Nature Communications, revelou que o processo de deposição de neve é completamente inverso ao que ocorre na Terra.

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Estranho Plutão

Lindas as paisagems das montanhas de plutão, assustadoramente parecidas com as da Terra. “É particularmente notável ver que duas paisagens muito semelhantes na Terra e em Plutão podem ser criadas por dois processos muito diferentes”, diz em um comunicado Tanguy Bertrand, autor principal do estudo e pesquisador da NASA.

“Embora teoricamente objetos como a lua de Netuno, Tritão, possam ter um processo semelhante, nenhum outro lugar em nosso sistema solar tem montanhas cobertas de gelo como esta além da Terra”, explica o pesquisador sobre o fenômeno.

(NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute, Thomas Pesquet/ESA)

Não sabia-se, inicialmente, se aquilo era metano puro, ou uma mistura de metano com nitrogênio. Na Terra, ambos os elementos são gases. No entanto, Plutão esfria mais do que a Terra. Então, naturalmente, os gases tornam-se líquidos e sólidos. Os cientistas. então, analisaram cuidadosamente  os dados em alta resolução e perceberam que é praticamente metano puro.

Ao Space.com, Bertrand descreve as montanhas cheias de gelo como “muito parecidos com cadeias de montanhas cobertas de neve vistas na Terra”. Ele ainda diz: “Tal paisagem nunca foi observada em nenhum outro lugar do sistema solar”.

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Os cientistas acreditavam, inicialmente, que por se tratar de um gás residual, assim como o vapor de água para a Terra, o fenômeno que causava a formação da neve fosse o mesmo do que na Terra. Mas é um pouco mais complicado.

Nevascas na Terra

Você sabe que quando mais alto, mais frio, certo? Isso ocorre porque quanto mais alto estamos, mais rarefeita é a atmosfera. Portanto, nas regiões mais rarefeitas, a atmosfera segura menos calor do que nas regiões mais densas – na superfície. Além disso, há o resfriamento resultante da expansão do ar em movimentos ascendentes.

Dessa forma, ao evaporar, a água sobe e condensa, formando as nuvens. Em locais mais quente, a condensação gera a chuva. Em locais mais frios, a água condensada transforma-se em neve. É por isso que o topo de montanhas.

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Vamos utilizar como exemplo o Kilimanjaro, uma montanha na Tanzânia. A Tanzânia localiza-se na África, em uma região muito próxima à linha do equador. Portanto, ocorrem temperaturas altas por lá, assim como no nordeste brasileiro. Mas o Kilimanjaro possui neve em seu pico. Isso ocorre porque ele possui quase 6 km de altitude, e lá no topo é extremamente frio.

Nevascas de metano

(Tanguy Bertrand et al)

Já em Plutão, o fenômeno é inverso. O metano se concentra nas altas altitudes do planeta. E o metano é um poderoso gás de efeito estufa. Portanto, o calor é mais retido nas regiões mais altas de Plutão. Então, sim, o topo de uma montanha por lá é mais quente do que a superfície.

Em altitudes mais baixas, o metano poderia condensar, mas a concentração é baixa de mais. Próximo ao topo das montanhas, o metano condensar, mas não forma nuvens. Na verdade, ele condensa e se deposita diretamente nas montanhas, formando, assim, os depósitos de neve. As nevascas de metano não “caem”, apenas se formam.

“Plutão é realmente um dos melhores laboratórios naturais que temos para explorar os processos físicos e dinâmicos envolvidos quando compostos que regularmente fazem a transição entre os estados sólido e gasoso interagem com uma superfície planetária”, diz Bertrand.

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O artigo científico foi publicado no periódico Nature Communications. Com informações de NASA e Space.com.


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