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IA dobra o acerto da previsão do tempo com semanas de antecedência

Por Editado por Elisson Amboni
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Por quase meio século, meteorologistas aceitaram que prever o tempo com mais de duas semanas de antecedência era praticamente impossível. Um novo sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo climatologista Judah Cohen, do MIT, e pelo colega Lester Mackey desafia essa ideia. Segundo o estudo publicado na revista Nature, o modelo dobrou a precisão das previsões feitas entre duas e seis semanas à frente. O modelo, porém, contorna apenas algumas das barreiras impostas pelo caos atmosférico.

Esse limite vem da teoria do caos, formulada pelo matemático Edward Lorenz, também do MIT.

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A teoria mostra que sistemas aparentemente previsíveis podem gerar resultados imprevisíveis. É como uma bola de bilhar: um desvio mínimo na primeira tacada muda completamente onde ela termina depois de várias batidas. Na atmosfera, pequenas incertezas crescem até engolir qualquer informação útil.

“Ele chegou a esse limite teórico de duas semanas, além do qual simplesmente não conseguimos prever o tempo, porque o ruído no sistema cresce tanto que supera qualquer sinal com que você começa”, explicou Cohen.

Aprendendo com os próprios erros no “deserto da previsibilidade”

A janela de duas a seis semanas, chamada de previsão subsazonal, ganhou o apelido de “deserto da previsibilidade”. Nela entram forças lentas e muito variáveis, como o super El Niño deste ano, e até os modelos físicos e de IA mais modernos começam a falhar.

Cohen nunca se convenceu totalmente dessa barreira. Para ele, a atmosfera até poderia criar infinitos padrões, mas costuma repetir alguns favoritos.

A aposta da equipe foi o pós-processamento: a IA compara seus erros com dados históricos e ajusta as previsões seguintes, como um aluno que revisa a prova corrigida antes da próxima. Os pesquisadores inscreveram três versões do modelo em uma competição do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, considerado a principal referência mundial na área. Foi a primeira vez que um sistema com essa capacidade participou da disputa, dominada por modelos baseados em médias climáticas históricas.

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O ganho interessa a agricultores e empresas de energia, que já usam esse tipo de previsão, e pode ajudar a antecipar enchentes e ondas de frio.

Ainda assim, muitos climatologistas consideram o limite de Lorenz intransponível.

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