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Dente do ovo: entenda como um filhote de ave quebra a casca do ovo

Os amniotos foram o primeiro grupo de animais a dominar o ambiente terrestre.

Uma pequena estrutura no bico do pintinho faz toda a diferença na hora de sair do ovo. (Imagem de congerdesign por Pixabay)

Os amniotos foram o primeiro grupo de animais a dominar o ambiente terrestre. Para tanto, esses bichos utilizaram ovos que tinham várias proteções contra choques e dessecação. Os primeiros amniotos eram provavelmente bem parecidos com os lagartos modernos, e colocavam seus ovos em terra, sem depender de lagoas e lagos, como os anfíbios. Mas se a casca do ovo dos amniotos é feita para ser resistente, como o filhote a quebra para poder sair?

Bom, acontece que a casca do ovo tem, na verdade, várias camadas. Essas camadas vão se desenvolvendo desde o ovário da mãe até o momento em que o filhote está crescendo. Com o crescimento do pintinho, ou do lagartinho, seja o que for, essas membranas vão se degradando e ficando mais finas, bem como a própria casca do ovo. Vale lembrar que o filhote acaba também absorvendo uma parte do cálcio presente na casca para a sua nutrição.

Contudo, os filhotes ainda têm um outro recurso para se libertar de sua prisão. A maioria das espécies de répteis e aves possuem uma estrutura que recebe o nome de “dente do ovo” ou “diamante”.

O dente do ovo, nas aves por exemplo, fica na parte superior do bico, bem na ponta. Esse pequeno dentinho ajuda a rachar a casca quando o filhote está totalmente desenvolvido. De forma geral, o dente do ovo tem uma composição de queratina, uma proteína que tem várias funções estruturais no corpo dos animais. Alguns répteis, como certas cobras, ainda têm um dente que se projeta para fora da boca para ajudar a quebrar o ovo.

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A seleção da casca do ovo

Quando o filhote está quase pronto para sair do ovo, ele fica todo espremido dentro da casca. No caso das aves, mais uma vez, não há um ângulo para que o animal consiga bicar a casca do ovo. Assim, o bico do ovo serve sua função e se degrada ao longo do crescimento do animal.

Esse tipo de estrutura pode parecer apenas um pequeno detalhe, talvez até substancial, mas a vantagem evolutiva é imensa. Muitos filhotes de répteis, como no caso das tartarugas marinhas, precisam encontrar o seu caminho seguro logo nos primeiros minutos de vida. Assim, qualquer economia de energia vale e é determinante para o sucesso da espécie.

Acontece que ao longo de centenas de milhares de anos, os animais que não tinha messe tipo de estrutura facilitadora não conseguiram sair dos seus ovos. Ou ainda não conseguiram sobreviver depois pela falta de energia. Assim, os genótipos menos adaptados para o ambiente terrestre acabaram perecendo, dando lugar a esse pequeno, conquanto importante, detalhe dos amniotos.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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