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E se uma tempestade solar catastrófica atingisse a Terra?

(Pixabay).

Entre o final de agosto e início de setembro de 1859 uma gigantesca tempestade solar atingiu a Terra. Tempestades solares carregam plasma, ou seja, partículas extremamente carregadas. Naquelas explosões, o Sol mandou para o espaço energia equivalente a incríveis 10 bilhões de bombas atômicas. 

No dia primeiro de setembro de 1859, o astrônomo amador Richard Carrington observava as manchas solares. Conforme ele descreve em um relatório, duas manchas intensamente brilhantes surgiram. Naquele momento, ele pensou tratar-se de um defeito em seu telescópio. Mas no dia seguinte descobriu do que se tratava. 

Essas tempestades ocorrem com a emissão de material de mais durante erupções solares e ejeções de massa coronal. Perturbações no campo magnético do Sol lançam essas partículas carregadas. Quando as partículas interagem com equipamentos elétricos e eletrônicos ligados, elas os queimam. 

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Como resultado, redes elétricas e telegráficas queimaram e até mesmo se incendiaram. Pessoas viram auroras até mesmo de países tropicais. E isso é uma péssima notícia. O campo magnético da Terra barra os ventos solares. Por isso que as auroras ocorrem nos pólos – onde essas partículas do Sol adentram o campo magnético e interagem com a atmosfera.

No entanto, como você sabe, a humanidade não dependia muito da tecnologia naquela época. O telégrafo revolucionou a comunicação, mas o mundo ainda não abandonara as redes postais. Da mesma forma, a eletricidade possuía aplicações, mas não era tão vital como nos dias de hoje. 

(NASA).

Efeitos de uma tempestade solar

Então, se sofrêssemos um “ataque” desses nos dias de hoje, haveria um apocalipse na Terra? A NASA financiou um estudo em 2009 que indicou que uma tempestade solar como a de 1859 nos dias de hoje causaria prejuízos de 1 a 2 trilhões de dólares só nos Estados Unidos. A recuperação da infraestrutura e da economia levaria mais de uma década

Não haveria uma danificação complete de tudo, claro. Mas muitos equipamentos “iriam para o saco”. Em 1859, milhões de pessoas da província de Quebec, no Canadá, permaneceram sem eletricidade por várias horas

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Mas os mais afetados seriam as pessoas e equipamentos no espaço. Satélites atingidos por uma tempestade tão grande certamente seriam danificados, assim como equipamentos da Estação Espacial Internacional. Os astronautas teriam apenas alguns minutos para se abrigar nas espaçonaves atracadas à estação. Essa espaçonaves aguentam o imenso calor da reentrada na atmosfera, e os protegeriam de grandes danos. Caso não se protejam à tempo, a probabilidade do desenvolvimento de câncer é enorme. 

Na Terra, grande parte dos raios-x provavelmente seria bloqueada pela magnetosfera (campo magnético) e pela atmosfera do planeta. Dessa forma, não receberíamos doses letais de radiação. Não há nada que indique, por exemplo, um aumento considerável na incidência de câncer acarretado tempestade solar de 1859.

Talvez a única parte legal seria a possibilidade de vermos auroras a partir do Brasil.

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Como nos prevenir?

Bom, basicamente estamos à mercê do espaço. Se uma tempestade solar nos deixará de volta à Idade Média, há pouco a se fazer. Se um asteroide gigante do apocalipse se aproxima, há ainda menos o que se fazer. 

Satélites e astronautas estão ainda mais expostos do que a Terra. (NASA).

Tudo o que podemos fazer é estudar o Sol para tentar se prever as tempestades solares. Uma das saídas que a NASA propõe é a preparação das redes elétricas pelas empresas de concessão. Ao detectar uma tempestade, as empresas deveriam desligar todas as redes elétricas em questão de minutos e, dessa forma, minimizar os danos.

Em 2003, grandes tempestades solares atingiram a Terra. As pessoas chamaram de Tempestades de Halloween, pela época que chegaram. Por duas semanas, comunicações sem fio sofreram interferências ou até mesmo foram impossibilitadas. Naquela época, a Suécia enfrentou frequentes quedas de energia. Além disso, a tempestade danificou diversos satélites. 

Em 2001 ocorreu a maior tempestade já registrada na história, ainda mais forte do que de 1859. Por sorte ela não atingiu a Terra.

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Com informações de IFL Science, Business Insider e NASA.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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