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Como as gaivotas viraram profissionais em roubar comida

As gaivotas estão com seus ambientes naturais cada vez mais ameaçados. Por isso as gaivotas viraram profissionais em roubar comida humana.

Estudos indicam que gaivotas sabem exatamente os melhores horários para roubar comida em escolas e procurar por restos em lixões. (Imagem de 종덕 지 por Pixabay)

As gaivotas são aves marinhas que vivem em quase todas as praias ao redor do mundo. Existem várias espécies desses animais e todas estão cada vez mais ameaçadas pela falta de alimento. Portanto, isso fez as gaivotas virarem profissionais em roubar alimento dos seres humanos. Desde roubar petiscos de pessoas na praia até assaltar piqueniques no parque, as gaivotas sabem como agir.

Inclusive, estudos da Universidade de Bristol mostraram que esses animais sabem com precisão o melhor horário para roubar um lanche. Os pesquisadores instalaram rastreadores nos animais e monitoraram três locais de alimentação: um parque, uma escola e um lixão.

Os resultados foram como se suspeitava. Os animais aprenderam os horários de almoço e lanche na escola e, assim, frequentam mais a escola durante a tarde. Ademais, quando a escola estava fechada, as aves iam menos até esse local. Já no lixão, as gaivotas conseguem identificar quando novos despejos de lixos vão ser feitos. Por fim, no parque os animais foram atrás de alimento natural, em geral de manhã. Isso porque minhocas e insetos tendem a sair das tocas durante esses horários.

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Por que as gaivotas viraram profissionais no roubo de comida?

Há um motivo bem simples pelo qual as gaivotas viraram profissionais em roubar comida de humanos: a falta de comida nos ambientes naturais.

Tipicamente, as gaivotas vivem em praias e ilhas. Isso porque esses animais normalmente comem peixes e outros pequenos bichos marinhos. Contudo, nos últimos anos essas aves estão migrando cada vez mais para cidades e ambientes urbanos. Aliás, o número de gaivotas está caindo rapidamente. Os animais que conseguem sobreviver acabam infestando as cidades, o que causa uma falsa impressão de que a população de gaivotas e grande.

(Imagem de klafue por Pixabay)

Nesse sentido, há dois principais motivos para a falta de alimento das gaivotas. Primeiramente a indústria pesqueira está retirando mais peixes do mar do que devia. Assim, os animais não têm tempo de se reproduzir e manter a população antes de serem pescados. O outro motivo, ainda mais preocupante, é a poluição dos oceanos.

Evidentemente a produção de lixo e resíduos está destruindo os hábitats aquáticos. Além de causar a morte de animais como as tartarugas, que acabam ingerindo o lixo nos oceanos, o plástico e outros materiais ainda podem ser muito tóxicos. Os microplásticos, por exemplo, podem se acumular na cadeia alimentar e acabarem causando mutações e mesmo a morte direta dos animais.

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Fast-food não é saudável para ninguém – nem para as gaivotas

Além da diminuição da população por causa dos motivos já citados, ainda há o problema dos alimentos processados. Ainda não se sabe ao certo qual é o impacto de alimentos humanos para as gaivotas. Tecnicamente, qualquer alimento não natural poderia causar problemas para o animal.

Contudo, o real impacto disso só poderá ser observado nos próximos meses e anos. Ademais, quando falamos da proteção dos oceanos, falamos também da proteção de todos os animais que dependem do mar para sobreviver. Todas as aves marinhas estão sendo profundamente afetadas pela poluição dos oceanos. Por conseguinte, comportamento das gaivotas é uma adaptação às condições do ambiente.

(Imagem de kennedyfotos por Pixabay)

Todavia, apesar dessas aves terem se adaptado, esse novo estilo de vida dos animais não é necessariamente saudável. Mais uma vez a proteção dos mares está mostrando um efeito alto para os animais. E esse efeito deve ser revertido enquanto ainda há tempo.

O artigo foi publicado no periódico International Journal of Avian Science.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.


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