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Um curioso caso de adoção em morcegos-vampiros

O filhote foi adotado por uma amiga de sua mãe.

Fêmea de morcego-vampiro adota filhote órfão de sua colega. (Imagem de Cindy Parks por Pixabay)

Morcegos são animais bastante sociais. Em geral, eles vivem em colônias que podem ter desde algumas dezenas até milhares de animais. Apesar disso, não há evidências concretas de que a adoção de animais órfãos seja comum nesses mamíferos voadores. Apesar disso, um estudo publicado no periódico Royal Society em janeiro de 2021 mostra que esse fenômeno pode acontecer, e podem haver alguns motivos.

(Imagem de Gordon Johnson por Pixabay )

No começo de setembro de 2019, Lilith, uma jovem fêmea de morcego-vampiro (Desmodus rotundus) morreu de uma doença intestinal, apenas alguns dias após ter um filhote. Lilith havia sido capturada nas florestas panamenhas para o estudo, e ficou bastante próxima de outra fêmea com o nome de BD, originária de uma região 340km distante da de Lilith.

Os pesquisadores observavam que as duas frequentemente tinham bastante contato, se lambiam e arrumavam os pelos uma da outra, mesmo antes de Lilith ficar prenha. Contudo, a parte peculiar da história é que após a morte de Lilith, a fêmea BD começou a lactar e cuidar do filhote de sua colega. Até o fim do estudo, no final de outubro, o filhote se desenvolveu normalmente graças aos cuidados de BD.

A razão evolutiva para esse tipo de adoção

Como dito antes, a adoção não é comum nos morcegos, e nem em diversas outras espécies. No entanto, esse tipo de evento pode ter uma raiz evolutiva. Parece contraditório, afinal um animal que cuida de um órfão passa menos tempo se reproduzindo e espalhando seus próprios genes. Acontece que a mera presença do filhote, como visto no estudo, desperta algumas reações fisiológicas em animais adultos, mesmo que sem relação de sangue.

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Em outros animais é possível também observar um comportamento parental na presença de um filhote, mesmo que não seja a mãe ou pai do filhote. Um cão ou gato pode frequentemente cuidar de outros animais filhotes, por exemplo.

(Imagem de Bianca Mentil por Pixabay)

Enfim, o ponto é que diversos neurotransmissores despertam um comportamento parental, como aconteceu com BD, em animais adultos próximos a um filhote. O mecanismo pelo qual isso acontece, como os próprios autores do artigo afirmam, ainda é obscuro.

O estudo buscava, primordialmente, avaliar interações sociais em morcegos e a frequência dessas interações. Para isso os pesquisadores coletaram morcegos selvagens de diversas regiões do Panamá e quantificaram suas ações todos os dias ao longo de mais de 4 meses. A partir disso foi possível concluir que Lilith e BD eram bastante próximas, com mais interações entre si, do que eram com o resto dos animais do cativeiro.

O artigo está disponível no periódico The Royal Society.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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