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Pai, filho e mais quatro enterrados juntos há 1.200 anos na Letônia podem ter sido mortos por vikings

Por Editado por Damares Alves
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Um machado ou uma espada pode ter decidido o destino de seis pessoas às margens do mar Báltico. Em uma sepultura de 1.200 anos na Letônia, arqueólogos encontraram seis pessoas enterradas juntas, e pelo menos três delas morreram de forma violenta.

O grupo reúne quatro homens, um menino e uma menina. A análise genética revelou que o garoto era filho de um dos homens, e que outro adulto era parente de terceiro grau, talvez primo de primeiro grau ou tio-avô. Os resultados aparecem no estudo publicado na revista Journal of Archaeological Science: Reports.

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Segundo os autores, o pai, o parente e um terceiro homem sofreram ferimentos por “força cortante”, compatíveis com golpes de machado ou espada. A causa da morte dos outros três segue desconhecida.

A hipótese de um ataque viking é plausível, mas não está comprovada.

“Nunca saberemos se eles foram mortos em um ataque, mas isso continua sendo uma possibilidade por causa da data da sepultura”, afirmou Elīna Pētersone-Gordina, arqueóloga da Universidade da Letônia e coautora da pesquisa.

Uma sepultura coletiva feita com cuidado

A datação por radiocarbono situa o enterro na segunda metade do século 9, período considerado o início da Era Viking. A cova faz parte do cemitério de Čunkāni-Dreņģeri, perto do golfo de Riga, uma baía protegida do mar Báltico.

Descoberto em 1924, o local abriga centenas de sepulturas escavadas em terraços às margens de um rio entre os séculos 7 e 11, durante a Idade do Ferro letã. A maioria dos túmulos da região contém apenas um indivíduo, o que torna esse caso incomum.

Apesar das mortes violentas, os pesquisadores destacam que não se trata de uma vala comum, onde corpos são jogados às pressas. Cada pessoa foi disposta com cuidado e acompanhada de objetos funerários tradicionais. A menina foi colocada com a cabeça voltada para o noroeste, e os homens e o menino ficaram enfileirados ao lado dela, com a cabeça para o sudeste.

Para os autores, esse zelo sugere que os mortos pertenciam a um grupo respeitado. O enterro conjunto sugere que todos morreram ao mesmo tempo.

“Eles provavelmente eram pessoas locais”, disse Pētersone-Gordina. O DNA mostrou ancestralidade báltica nativa, e os seis eram semigálios, povo agricultor que ocupava as planícies férteis da região.

Golpes no braço, mandíbula partida e quase decapitação

As marcas nos ossos revelam a brutalidade do episódio. Um dos homens tem cortes defensivos no antebraço e na mão, outro morreu após um golpe que despedaçou sua mandíbula, e o terceiro foi quase decapitado.

Dois dos homens não tinham parentesco com os demais. Os pesquisadores acreditam que faziam parte da mesma comunidade ou do mesmo núcleo doméstico ampliado. O quarto homem e as crianças podem ter morrido de lesões em tecidos moles, que não puderam ser identificadas nos restos preservados.

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Um confronto com uma comunidade vizinha também é possível. Mas há evidências de que vikings, ou seus antecessores, circulavam pelo leste do Báltico nessa época. Em 2008 e 2010, dois enterros escandinavos em barcos, datados de cerca de 750, foram achados na ilha estoniana de Saaremaa, com homens que traziam ferimentos de batalha.

Na época, porém, a Letônia não pertencia ao mundo viking escandinavo. A região era habitada por povos bálticos nativos, como semigálios e curonianos.

Para Rimantas Jankauskas, antropólogo e arqueólogo da Universidade de Vilnius, na Lituânia, que não participou do estudo, a violência pode ter vindo da própria comunidade, de vizinhos ou de um ataque viking. Ele avalia que o trabalho também ilumina a organização social dos semigálios.

O cuidado dedicado ao enterro, segundo Jankauskas, pode refletir uma aristocracia em formação. Quem empunhou as armas, porém, continua sem resposta.

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