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Rochas do fundo do mar pegaram fogo sozinhas em laboratório e podem ser risco para a mineração oceânica

Por Editado por Elisson Amboni
Como editamos

E se as rochas que podem abastecer a próxima corrida por metais pegassem fogo sozinhas a bordo de um navio? Foi o que cientistas americanos viram acontecer em laboratório.

Pesquisadores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) relatam que duas amostras de rochas de sulfetos metálicos, retiradas do leito oceânico, entraram em combustão espontânea em 2022. O episódio elevou a temperatura acima de 100 °C e oxidou completamente o material.

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Os resultados estão em um estudo publicado na revista Scientific Reports, divulgado antes da edição final. Segundo o USGS, o fenômeno é um risco potencial caso a mineração de depósitos de sulfetos maciços do fundo do mar avance.

Isso não significa, porém, que toda rocha desse tipo seja perigosa.

Marcassita instável escondida na Fossa de Escanaba

As amostras foram coletadas durante uma expedição à Fossa de Escanaba, feita pelo USGS com o BOEM e a NOAA. A região fica na costa entre Oregon e Califórnia, onde a atividade hidrotermal formou depósitos ricos em cobre, zinco e ferro.

Com o veículo remoto Jason, do Instituto Oceanográfico Woods Hole, a equipe recolheu 57 amostras em quatro áreas. A maioria tinha sulfetos metálicos como mineral principal, e duas pegaram fogo ao serem liofilizadas e trituradas.

Petróleo de origem hidrotermal, que pode ficar aprisionado nesses minerais e se autoaquecer em terra, não parecia ser o culpado. A análise química, mineralógica e térmica mostrou que as rochas que entraram em combustão eram compostas principalmente de marcassita nanocristalina, uma forma de sulfeto de ferro que parece ser especialmente instável na presença de oxigênio.

Calor e forças mecânicas, como esmagamento e moagem, podem fornecer a energia que dispara a oxidação. Esse processo pode levar ao autoaquecimento da rocha.

Risco de incêndio na corrida ao ouro submarino

A descoberta chega em momento sensível. A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos já concedeu contratos de exploração de sulfetos na Dorsal Mesoatlântica Norte e na Dorsal Sudoeste do Índico, embora a mineração ainda não tenha começado.

Esses depósitos atraem interesse por poderem conter ouro, prata, cobre e zinco. Segundo o artigo, o calor gerado por reações exotérmicas nunca havia sido investigado neles, mas “tem o potencial de causar incêndios de início rápido em navios”.

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“Se a mineração de sulfetos maciços do fundo do mar ocorrer, as rochas trazidas à superfície enfrentariam condições dramaticamente diferentes das do leito oceânico, incluindo exposição ao oxigênio e mudanças de temperatura, pressão e umidade”, afirmou o USGS em comunicado.

Para o órgão, essas mudanças podem alterar a forma como os minerais reagem e quanto calor produzem. Trata-se de um perigo potencial que pode ajudar a orientar regras de segurança para a nova indústria.

Os alertas sobre a mineração em águas profundas vão além da segurança humana. Muitos ambientalistas temem que a mineração profunda seja o golpe final para ecossistemas oceânicos já ameaçados.

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