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Anel achado em palácio afundado no Egito revela o Farol de Alexandria, e um detalhe no topo intriga os especialistas

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Como era, afinal, o Farol de Alexandria? Uma das maravilhas do mundo antigo acaba de aparecer em um lugar inesperado: gravada em um pequeno anel de bronze, encontrado no fundo do Mediterrâneo.

O anel de sinete estava nas ruínas de um palácio na ilha submersa de Antirhodos, no Egito. A descoberta foi feita por uma equipe conjunta do Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática (IEASM) e do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Segundo os pesquisadores, é a primeira vez que se encontra um anel de sinete com a imagem do farol.

Um selo no coração do poder ptolomaico

De acordo com o IEASM, a imagem gravada no anel lembra representações do farol já conhecidas em moedas do século 2. Mas a importância do achado vem também do lugar onde ele estava.

“A descoberta do anel-sinete é ainda mais importante porque ele foi escavado no lendário palácio da Ilha de Antirhodos, que já foi um centro de poder”, afirmou Franck Goddio, presidente do IEASM, em comunicado.

O palácio era usado pelos faraós da dinastia ptolomaica, que governou o Egito entre 304 e 30 a.C. Essa linhagem descendia de um dos generais de Alexandre, o Grande.

Anéis de sinete serviam para imprimir marcas em argila e cera, criando selos. Para a equipe do IEASM, a presença de um deles no palácio sugere que o edifício cumpria funções administrativas ligadas ao farol.

Fumaça no topo da torre

A gravação está um pouco desgastada, mas os especialistas consultados concordam que a figura provavelmente representa o farol.

Doris Behrens-Abouseif, professora emérita de história da arte e arqueologia da Universidade de Londres, que não fez parte da equipe, lembra que existem “milhares de moedas de Alexandria mostrando uma representação semelhante do farol”, dos períodos ptolomaico ou romano. Ela ressalvou, porém, que não conhece anéis alexandrinos o suficiente para dizer se este é o único com a imagem.

O detalhe mais curioso está no ponto mais alto da gravação: um elemento assimétrico. Para o pesquisador independente Andrew Chugg, autor de um livro sobre o farol publicado em 2024, ele “pode representar uma pluma de fumaça saindo da lâmpada a óleo na mão da estátua que coroava” a torre.

Margaret Miles, professora emérita da Universidade da Califórnia em Irvine, também notou a possível fumaça. Para ela, o anel “poderia ter sido usado como sinete por um comerciante de Alexandria que usava o perfil do [farol] para sinalizar sua localização em Alexandria”.

“O farol era famoso, então se tornou um símbolo da cidade”, completou.

Uma maravilha que afundou com o tempo

O farol foi erguido na ilha de Faros por volta de 280 a.C. e tinha mais de 100 metros de altura. Escritores antigos, como Plínio, o Velho, o incluíam entre as maravilhas do mundo.

No topo, haveria uma estátua, possivelmente de Zeus, segurando uma lâmpada a óleo que orientava os navegantes. É justamente a fumaça dessa lâmpada que pode aparecer no pequeno anel de bronze.

A torre continuou em uso adentrando a Idade Média, até que terremotos e a erosão levaram à sua destruição e ao seu desaparecimento sob o mar.

Nos últimos anos, pesquisas na costa de Alexandria revelaram mais detalhes sobre sua aparência, incluindo a descoberta de 22 blocos gigantescos. Essas informações vêm ajudando as equipes que trabalham para reconstruí-lo digitalmente.