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Tumba em Saqqara de 4.350 anos revela funcionário que guardava segredos do rei

Por Editado por Damares Alves
Como editamos

Uma tumba ricamente equipada, construída há cerca de 4.350 anos na necrópole de Saqqara, revelou a existência de um homem que ocupava uma função prestigiosa junto ao poder no Egito Antigo. Chamado Sekhentio-Ptah, ele teria tido acesso a informações confidenciais e supervisionava os trabalhos do rei durante a era das grandes pirâmides.

A descoberta oferece uma rara janela para a engrenagem administrativa que sustentava a monarquia egípcia no Antigo Império, período situado aproximadamente entre 2649 e 2150 a.C. Além dos títulos atribuídos ao funcionário, a sepultura preservou objetos ligados ao culto dos mortos. Parte desses objetos indica que o espaço pode ter recebido novos sepultamentos muito posteriores à construção original.

O homem que conhecia os decretos do rei

Sekhentio-Ptah portava os títulos de “supervisor de todos os trabalhos do rei”, “supervisor dos documentos reais” e “guardião dos segredos dos decretos reais”. Embora o último título possa sugerir uma função de espionagem, seu significado provavelmente era mais administrativo.

Segundo a egiptóloga Ann Macy Roth, da Universidade de Nova York, Sekhentio-Ptah provavelmente exercia um alto cargo administrativo. Ao supervisionar os documentos da Coroa e os escribas responsáveis por produzi-los, ele teria acesso a informações reservadas do governo. Designações relacionadas à guarda de segredos também apareciam entre outros escribas que trabalhavam diretamente para o soberano.

Sekhentio-Ptah acumulava vários títulos prestigiosos e provavelmente exercia uma alta função administrativa. Sua tumba foi descrita como ricamente equipada.

Imagem: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

Portas que não se abriam para os vivos

Entre os elementos funerários encontrados estão uma mesa de oferendas, uma bacia usada em rituais de purificação e duas “portas falsas”. Comuns nas sepulturas do Egito Antigo, essas estruturas esculpidas ou pintadas não se destinavam aos vivos. Sua função era simbólica: elas representavam uma passagem que permitiria ao morto transitar entre o além e o mundo dos vivos, sobretudo para receber as oferendas deixadas para ele.

As portas também ajudaram os pesquisadores a estimar a idade da sepultura. De acordo com Roth, suas características estilísticas são compatíveis com o fim da Quinta Dinastia ou o começo da Sexta Dinastia. Essa avaliação situa a tumba há aproximadamente 4.350 anos.

A localização reforça a relevância do achado. Saqqara é uma imensa necrópole situada ao sul do Cairo. O túmulo fica no setor conhecido como Bubasteion, que posteriormente se transformaria em um importante centro de culto a Bastet, divindade felina associada, entre outros atributos, à proteção e à fertilidade. Embora essa região seja conhecida pelas numerosas múmias de gatos, nenhuma sepultura felina foi relatada dentro da tumba de Sekhentio-Ptah.

Mais de cem servidores para a vida após a morte

A escavação recuperou mais de uma centena de ushabtis, pequenas figuras funerárias destinadas a trabalhar no lugar do falecido caso ele fosse convocado a realizar tarefas no além. Os arqueólogos também encontraram uma estátua de madeira em forma de falcão, possivelmente relacionada ao deus Hórus, além de fragmentos de cartonagem que anteriormente recobriam múmias.

Esses objetos, contudo, não garantem que todos tenham pertencido ao alto funcionário. A múmia de Sekhentio-Ptah ainda não foi identificada formalmente, e parte do conjunto pode ser muito posterior à construção original. Para Ann Macy Roth, a explicação mais provável é que a sepultura tenha sido reutilizada ao longo dos séculos, prática frequente no Egito Antigo.

Assim, o túmulo reúne diferentes tempos de Saqqara: pertenceu originalmente a um administrador próximo ao rei, recebeu artefatos relacionados à preparação para o além e provavelmente foi reutilizado em épocas posteriores. Embora a descoberta identifique o nome e os títulos de Sekhentio-Ptah, sua múmia ainda não foi formalmente identificada.